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Tereza aposta em mulheres contra caciques para chegar ao comando do Senado

Senadora reforça discurso por mais mulheres nos espaços de poder enquanto enfrenta resistência de lideranças

| JHEFFERSON GAMARRA / CAMPO GRANDE NEWS


Senadora Tereza Cristina pensativa durante sessão no Senado (Foto: Ton Molina/Agência Senado)

A senadora sul-mato-grossense Tereza Cristina (PP) tenta fortalecer a bancada feminina do Congresso Nacional como trunfo para viabilizar sua candidatura à Presidência do Senado Federal, em fevereiro de 2027. Em meio à resistência de caciques partidários e ao apoio declarado da Federação União Progressista à reeleição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a parlamentar voltou a defender, nesta sexta-feira (30), a ampliação da presença de mulheres nos espaços de decisão política.

Em vídeo publicado em colaboração com o perfil da Bancada Feminina no Congresso, Tereza destacou a importância da representatividade das mulheres no Parlamento e defendeu que elas ocupem também posições de liderança na Câmara dos Deputados e no Senado. A manifestação ocorre em um momento de articulação pela sucessão de Alcolumbre, na qual a senadora busca apoio entre as parlamentares para tentar se tornar a primeira mulher a presidir a Casa.

“Mulheres preparadas precisam estar onde o Brasil é debatido, decidido e transformado. Quando uma mulher ocupa um espaço de decisão, não é apenas uma conquista individual. É um avanço para todas nós. Por isso, é tão importante fortalecer a bancada feminina no Congresso', afirmou.

A senadora também argumentou que a participação feminina contribui para ampliar o debate e aproximar as políticas públicas da realidade das famílias brasileiras. “Também precisamos ampliar a participação feminina nas posições de liderança, tanto na Câmara quanto aqui no Senado. E essa presença deve estar em todas as instituições que tomam decisões importantes para o país', acrescentou.

A publicação foi compartilhada pela Bancada Feminina, que reforçou a necessidade de ampliar a representatividade das mulheres no Parlamento, no Judiciário e nas demais instituições. O grupo afirmou que continuará trabalhando para fortalecer o debate sobre a participação feminina nos espaços de poder.

Disputa com obstáculos - O discurso de Tereza ocorre em meio a um cenário desfavorável dentro das articulações partidárias. Na terça-feira (27), a Federação União Progressista, formada pelo PP e pelo União Brasil, anunciou apoio à recondução de Alcolumbre ao comando do Senado. A decisão contrariou os planos da própria senadora, filiada ao Progressistas, que já havia manifestado publicamente o desejo de disputar a Presidência da Casa.

Em resposta, Tereza ressaltou que a eleição será definida apenas em fevereiro, por meio do voto secreto dos 81 senadores. A parlamentar argumentou que os integrantes da próxima legislatura terão liberdade para decidir e que a posição anunciada pelas direções partidárias não encerra a discussão sobre a sucessão.

A senadora também destacou a importância de ouvir os colegas e receber os novos integrantes da Casa, especialmente as 12 mulheres que passarão a integrar a bancada feminina. Na ocasião, afirmou que pretende manter o diálogo como principal instrumento de articulação política.

A estratégia ganha relevância diante da resistência do PL, que deverá ter a maior bancada do Senado, com 29 parlamentares. O partido tem interesse em disputar a Presidência da Casa e dificilmente abriria mão do posto sem uma negociação que assegure vantagens políticas.

Além de Alcolumbre, apontado como favorito e apoiado pelo Palácio do Planalto, outro nome que aparece nas articulações é o do senador Rogério Marinho (PL-RN), que conta com a simpatia do grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Nos bastidores, Tereza e Marinho já teriam conversado sobre a possibilidade de um apoiar o outro para evitar uma divisão de forças contra Alcolumbre. Em outubro, o senador eleito por Mato Grosso do Sul Reinaldo Azambuja (PL) relatou ao Campo Grande News que os dois haviam concordado em não disputar a eleição um contra o outro.

Aposta na representatividade - A composição projetada do Senado para 2027 terá 19 mulheres entre os 81 parlamentares, o equivalente a 23,5% das cadeiras. O número representa um crescimento da participação feminina na Casa, que contará com 12 novas senadoras eleitas em 2026 e outras sete que já exercem mandato até 2031.

Entre as eleitas neste ano estão Bia Kicis (PL-DF), Carol de Toni (PL-SC), Gracinha Caiado (União-GO), Luizianne Lins (Rede-CE), Mara Rocha (Republicanos-AC), Marília Arraes (PDT-PE), Marília Campos (PT-MG), Marina JHC (PSDB-AL), Michelle Bolsonaro (PL-DF), Rayssa Furlan (Podemos-AP), Samanda de Lula (PT-RN) e Teresa Surita (MDB-RR).

Elas se juntarão a Ana Paula Lobato (PSB-MA), Cheila Moreira (PT-AM), Damares Alves (Republicanos-DF), Professora Dorinha Seabra (União-TO), Jussara Lima (PSD-PI), Teresa Leitão (PT-PE) e à própria Tereza Cristina (PP-MS), que têm mandatos de 2023 a 2031.

Com isso, as mulheres ocuparão 19 das 81 cadeiras, enquanto os homens serão 62, correspondendo a 76,5% da composição. Embora ainda representem menos de um quarto do Senado, as 19 parlamentares formam um grupo que Tereza pode tentar mobilizar em torno da candidatura inédita de uma mulher à Presidência da Casa.

Na avaliação do analista político Daniel Miranda, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), o tamanho da bancada do PL e o perfil pragmático da federação da qual Tereza faz parte dificultam sua candidatura. O deputado federal Geraldo Resende (União Brasil), por sua vez, também avalia que Alcolumbre chega à disputa em posição mais favorável.

Apesar dos obstáculos, Tereza mantém o discurso de que a decisão cabe individualmente a cada senador. A senadora aposta na articulação feminina, no diálogo com os novos integrantes da Casa e na possibilidade de construir uma composição que ultrapasse as divisões partidárias para tentar alcançar um feito inédito na história do Senado.


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