Comando Vermelho recruta mulheres e adolescentes para organizar crimes em MS
| MIDIAMAX
O recrutamento de mulheres para funções estratégicas tem sido uma das táticas utilizadas pelo Comando Vermelho em Mato Grosso do Sul. Ana Vitória Nascimento Santos, de 17 anos, morta nesta quinta-feira (15), em confronto com a polícia, em Nova Andradina, cidade a 298 quilômetros de Campo Grande, era uma das adolescentes cooptadas pela facção para organizar a logística de crimes na cidade.
Ana Vitória tinha papel determinante na articulação e na logística da facção. “Essas mulheres têm comportamento ativo de liderança, enfrentamento. Elas não têm comportamento passivo. Essa adolescente de 17 anos tinha poder decisório no grupo”, explicou o delegado do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros), Roberto Guimarães.
Durante coletiva, na manhã desta sexta-feira (16), o delegado Roberto explicou que a facção envia para os municípios os chamados “mensageiros”, que, dentro da organização, devem cumprir objetivos específicos, como a execução de integrantes de facções rivais. Esses mensageiros, ou executores, chegam às cidades e cooptam mulheres ou adolescentes para articular essas “missões” e determinar como os crimes serão cometidos.
Confronto em Nova Andradina
Ana Vitória foi morta durante confronto com a polícia na Operação Descarrilho, em Nova Andradina. Também morreram Wemerson Costa dos Anjos, de 28 anos, conhecido como Tio Baby, e João Lucas Nunes, de 23 anos, conhecido como Juquinha.
Conforme investigação da Polícia Civil, os suspeitos teriam vindo de Mato Grosso para Nova Andradina com o objetivo de cometer crimes no município. Com mandados de busca e apreensão, a polícia deflagrou a Operação Descarrilho.
A operação foi uma ação integrada das forças policiais. “Foi feito um levantamento do núcleo ativo do Comando Vermelho que estaria em Batayporã e região. Eles atuaram em um homicídio em Casa Verde, onde executaram quatro pessoas da mesma família. Um dos suspeitos era de Mato Grosso e o outro do Maranhão”, explicou o delegado do DPE.
Adolescente teria planejado morte do próprio pai
Ana Vitória teria orquestrado a morte do próprio pai no dia 29 de setembro, em Batayporã, a 306 quilômetros de Campo Grande. Ela participava das decisões tomadas pelo Comando Vermelho. Além da morte do pai, ela também teria ligação com o assassinato de Natalício Rodrigues dos Santos, conhecido como Pebinha. O crime aconteceu no dia 5 de outubro.
“Essa menina fez toda a dinâmica junto com o Comando Vermelho para executar o próprio pai. Ela organizou a casa onde o pai foi assassinado. O pai era investigado como sendo do PCC, então ela criou uma situação de violência sexual para levar o pai até a casa e à execução”, explicou o delegado Roberto.
Segundo ele, uma das armas apreendidas com o trio é compatível com a arma usada no homicídio do pai de Ana Vitória.
Conforme o delegado Ivan Barreira, diretor do DPE (Departamento de Polícia Especializada), os faccionados estão vindo de Mato Grosso e se utilizam, em todas as células, de mulheres e adolescentes da cidade. “Os criminosos e suspeitos que vêm para fazer homicídios vêm de outros estados, todos possuem antecedentes e são faccionados. A Polícia Civil e o Garras têm mapeado a forma de ação da facção. Eles estão persuadindo os adolescentes e as mulheres. Eles estão se valendo de mulheres para levantamentos nos locais, por talvez chamar menos atenção”, salientou.
Segundo o delegado Ivan, o grupo atua com grande poder de persuasão. “Eles também se valem do dinheiro e do poder na comunidade local.”



