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Prefeita anuncia pacote de R$ 14,7 milhões para bairro, mas maior parte das obras vem da gestão passada

| CAARAPONEWS


Prefeita assinando ordens de serviços, muitas delas da gestão passada e já em abdamento

A prefeita de Caarapó, Maria de Lourdes Portugal (PL), realizou na última quinta-feira (3) um ato para assinatura de ordens de serviço que, segundo a divulgação oficial, integram um “amplo pacote de obras” no valor de R$ 14.738.868,34 em investimentos.

A apresentação feita pela administração municipal, no entanto, merece uma análise mais detalhada. Embora o montante tenha sido divulgado como um pacote de investimentos da atual gestão, boa parte dos valores corresponde a obras que já estavam encaminhadas, com projetos cadastrados, recursos assegurados ou até mesmo em execução antes do início do atual governo municipal.

Entre os empreendimentos apresentados está a construção de uma Creche e Escola de Educação Infantil, modelo FNDE – Creche Tipo 1, orçada em R$ 6.138.828,29. A obra foi cadastrada ainda durante a gestão do ex-prefeito André Nezzi (PSDB) e selecionada por meio do PAC-2, do Governo Federal, com articulação do deputado federal Dagoberto Nogueira.

O empreendimento está vinculado ao Termo de Compromisso nº 961116/2024/FNDE/CAIXA, firmado entre a União, por meio da Caixa Econômica Federal, e o Município de Caarapó. O documento foi celebrado em 2024, quando André Nezzi ainda estava à frente da Prefeitura, evidenciando que a origem do recurso e a inclusão do município no programa são anteriores à atual administração.

UBS também foi viabilizada em 2024
Outra obra incluída no chamado “pacote” é a construção de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) Tipo II, que recebe investimento de R$ 2.276.907,00.

O problema é que a obra também não surgiu agora. O projeto foi cadastrado, analisado, aprovado e teve recursos liberados ainda em 2024, dentro do Novo PAC Saúde, programa do Governo Federal.

Todo o processo ocorreu durante a administração de André Nezzi, em conjunto com o então secretário municipal de Saúde, Vinicius Faria, responsável pelo cadastramento do projeto e pela definição do local onde a unidade seria construída.

Além disso, a obra já se encontra em estágio avançado de construção, o que torna ainda mais questionável apresentá-la simplesmente como uma nova obra lançada pela atual gestão.

Futura praça também tem recurso da gestão anterior
A relação de investimentos inclui ainda uma praça no bairro, contemplada com R$ 700 mil por meio de emenda viabilizada pela senadora Tereza Cristina.

O recurso está vinculado ao Contrato de Repasse nº 959548/2024, também formalizado em 2024, durante a administração anterior.

Ou seja, assim como ocorre com a creche e a UBS, trata-se de um investimento cuja origem antecede a atual gestão municipal.

O que efetivamente foi autorizado pela atual gestão?
Considerando os valores apresentados, o que de fato aparece como nova autorização de serviço da administração de Maria de Lourdes Portugal são R$ 5.923.270,05 destinados a obras de pavimentação asfáltica e drenagem de águas pluviais em vias do bairro, além de R$ 399.863,00 para a construção de uma pista de caminhada.

Somados, esses dois investimentos representam R$ 6.323.133,05.

Dessa forma, há uma diferença significativa entre apresentar R$ 14,7 milhões como um pacote de novos investimentos da atual gestão e esclarecer que parte substancial desse montante corresponde a projetos e recursos conquistados ou encaminhados durante a administração anterior.

A questão não é desmerecer a execução das obras pela atual gestão, que tem responsabilidade pela continuidade dos projetos e pela aplicação dos recursos. O ponto é dar transparência à origem dos investimentos e separar aquilo que foi efetivamente conquistado e contratado pela atual administração daquilo que já havia sido viabilizado anteriormente.

Em tempos de forte cobrança por transparência na gestão pública, a população de Caarapó tem o direito de saber quem viabilizou cada recurso, quando o projeto foi aprovado, qual gestão assinou os convênios e quais obras são, de fato, novas iniciativas da atual administração.

A diferença pode parecer apenas política, mas representa milhões de reais em recursos públicos e, principalmente, permite que o cidadão tenha uma visão mais precisa sobre os resultados de cada gestão.

Visita do deputado federal Dagoberto Nogueira no início das obras do novo CMEI ao qual ele ajudou trazer para o Capitão Vigário

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