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Operação investiga desaparecimento de homem sequestrado e levado à Bolívia

Cinco suspeitos foram presos; polícia apura tortura, homicídio e ocultação do corpo de Kelvin Anunciação

| BRUNA MARQUES / CAMPO GRANDE NEWS


Suspeito é preso durante a Operação Jacadigo, deflagrada pela Polícia Civil para investigar o desaparecimento de Kelvin Anunciação Saavedra Alves de Lima (Foto: Divulgação/PCMS)

Deflagrada na manhã desta sexta-feira (31), a Operação Jacadigo cumpriu dez mandados de busca e apreensão e cinco de prisão temporária durante a investigação sobre o desaparecimento de Kelvin Anunciação Saavedra Alves de Lima. A apuração aponta que ele foi sequestrado em Corumbá, mantido em cárcere privado, torturado e levado para a Bolívia, onde teria sido morto. O corpo ainda não foi localizado.

Segundo a Polícia Civil, o crime teria sido motivado pela suspeita dos investigados de que Kelvin estivesse relacionado ao furto de uma carga de drogas. Quatro veículos também foram apreendidos e passarão por perícia.

Kelvin desapareceu no fim da manhã de 26 de março. Conforme a família, ele saiu de casa para trabalhar, mas não chegou ao local de trabalho e não voltou a fazer contato. A última vez em que foi visto foi por volta das 11h50. Ele vestia camisa vinho, short de moletom cinza e botina preta.

Foram presos temporariamente Indy Fábio Souza Bobadilha, conhecido como “Indy' ou “Magrinho'; Jefferson Ojeda Soares, o “Ojeda'; Kauan Gustavo da Silva Lago, chamado de “HB20'; Sinval Santos Alves, conhecido como “Zinho'; e Flávio Bobadilha.

Thiago Junior Galeano de Lima, de 21 anos, segue foragido.

As buscas foram realizadas em endereços nos bairros Cristo Redentor, Centro, Popular Velha, Popular Nova, Guatós e Nova Corumbá. Também houve diligência em Ladário, em um imóvel ligado a um dos investigados, no Bairro Almirante Tamandaré.

A investigação é conduzida pela 1ª Delegacia de Polícia de Corumbá, responsável pelo inquérito. A operação teve apoio da Delegacia de Polícia de Ladário, Delegacia de Atendimento à Mulher de Corumbá, DAIJI (Delegacia de Atendimento à Infância, Juventude e Idoso), Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros) e 1ª Delegacia de Polícia de Aquidauana.

De acordo com o delegado Fillipe Araújo Izidio Pereira, responsável pela operação e pela investigação, Kelvin foi sequestrado no Brasil, mantido em cárcere privado, torturado e levado para a Bolívia, onde provavelmente ocorreu a morte.

A investigação brasileira ficará concentrada nos crimes praticados em território nacional, como sequestro, cárcere privado e tortura. A polícia também apura a possível participação dos investigados no homicídio.

Segundo o delegado, há indícios de que os sequestradores sabiam que entregariam Kelvin a outras pessoas na Bolívia para que ele fosse morto. Caso essa participação seja confirmada, os envolvidos poderão responder também pelo homicídio ocorrido em território boliviano.

A identificação de quem teria matado Kelvin na Bolívia e ocultado o cadáver ficará sob responsabilidade das autoridades daquele país.

“Já comunicamos o Consulado-Geral do Brasil em Puerto Quijarro para que as autoridades bolivianas sejam notificadas sobre a investigação e apurem os fatos ocorridos no país', disse o delegado.

A localização e a recuperação do corpo, ou de possíveis restos mortais, também dependerão da atuação das autoridades bolivianas.

Os objetos, veículos e demais elementos apreendidos serão analisados para esclarecer a dinâmica do crime, identificar todos os envolvidos e encontrar informações que possam levar ao paradeiro da vítima.

A investigação continua em andamento. Parte das informações será mantida sob sigilo para não comprometer novas diligências, a segurança de testemunhas e a responsabilização dos suspeitos.


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