Funai diz que notificou fazendeiros em Caarapó e outras cidades do MS para cumprir demarcação
Tema foi tratado na Assembleia como medida capaz de deflagrar guerra no campo
| ALINE DOS SANTOS / CAMPO GRANDE NEWS
A Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) enviou nota ao Campo Grande News reforçando que a emissão de notificações a proprietários de imóveis incidentes em áreas em estudo de identificação e delimitação de terras indígenas é para cumprir a Lei 14.701/2023. Antes, o comunicado era no fim do procedimento, mas houve alteração na legislação.
“A notificação é obrigatória e se dá ainda na fase dos estudos de identificação e delimitação assegurando aos ocupantes não indígenas o contraditório e a ampla defesa. Ressalta-se que são áreas em estudo, portanto, ainda sem proposta de delimitação aprovada, de modo que se trata tão somente de notificação prévia a todos os particulares identificados na área de abrangência dos estudos', informa a Funai.
O tema foi tratado na Assembleia Legislativa como medida capaz de deflagrar uma nova guerra entre fazendeiros e indígenas em Mato Grosso do Sul.
Conforme o deputado Zé Teixeira (PL), os avisos foram entregues a produtores rurais de Dourados, Amambai, Iguatemi, Rio Brilhante e Caarapó. Segundo o parlamentar, o documento dá prazo de 15 dias para comprovar a posse da localidade, apesar de as pessoas terem o título da terra fornecido há mais de 50 anos.
De acordo com o deputado, no município de Rio Brilhante, as notificações atingem área de 15 mil hectares, sendo dez mil com cultivo de lavoura.
Segundo o artigo sexto da legislação, “aos interessados na demarcação serão assegurados, em todas as suas fases, inclusive nos estudos preliminares, o contraditório e a ampla defesa, e será obrigatória a sua intimação desde o início do procedimento, bem como permitida a indicação de peritos auxiliares'.
Por meio de nota, a Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul) informa que acompanha com preocupação as notificações enviadas pela Funai aos proprietários rurais e que está prestando orientações jurídicas, junto aos sindicatos rurais e aos donos das áreas objeto de estudo para demarcação.



