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Hoje, 28 de julho é dia do Agricultor.

| CAARAPONEWS COM EDITORIAL O PROGRESSO


Hoje, dia 28 de julho, o Brasil celebra o Dia do Agricultor. A questão é: existe motivo para comemorar uma data que deveria ser motivo de festa? Pode ser que em algum município brasileiro os agricultores encontrem motivação para festejar o 28 de julho, mas nas 78 cidades sul-mato-grossenses o Dia do Agricultor será apenas mais um dia marcado pela falta de respeito; pela falta de estradas para escoar a produção; pela falta de políticas sensatas e viáveis para o campo; pela falta de respeito com aqueles que acordam antes do nascer do sol para produzir o alimento que chega à mesa de cada família; e, sobretudo, pela violação do direito de propriedade com estudos antropológicos para usurpar terras legitimamente tituladas e entregá-las, sem qualquer critério legal, às comunidades indígenas e quilombolas.
 

A falta de atenção com o Dia do Agricultor, criado pelo Decreto Nº 48.630, é tamanha que a própria Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural de Mato Grosso do Sul comemorou a data em 25 de julho. Esqueceram de avisar o diretor-presidente da Agraer, José Antônio Roldão, que o Dia do Agricultor é 28 de julho e não 25.
 
Independente da gafe oficial, os agricultores do Estado que corre o risco de ser transformado numa grande reserva indígena, não têm muito o que comemorar, mesmo porque as portarias 788, 789, 790, 791, 792 e 793, que foram editadas para investigar áreas indígenas em 26 municípios, afrontam o direito de propriedade e espalham a instabilidade pelo campo.
  Os agricultores de todo Mato Grosso do Sul não terão o que comemorar neste 28 de julho, porém, menos motivos ainda terão aqueles que têm suas propriedades em cidades como Caarapó, Amambai, Antônio João, Aral Moreira, Bela Vista, Bonito, Caracol, Coronel Sapucaia, Douradina, Dourados, Fátima do Sul, Iguatemi, Japorã, Jardim, Juti, Laguna Carapã, Maracaju, Mundo Novo, Naviraí, Paranhos, Ponta Porã, Porto Murtinho, Rio Brilhante, Sete Quedas, Tacuru e Vicentina, todas na mira dos estudos antropológicos da Funai. Não somos contra a demarcação de terras para índios ou quilombolas, mas não compactua com a violação do direito de propriedade. Quem hoje tira do proprietário uma terra legitimamente escriturada, amanhã não terá qualquer pudor em violar as propriedades urbanas.
 
Este é o tipo de coisa que ocorre porque o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a Fundação Nacional do Índio (Funai) perderam a razão de existir. Enquanto o Incra não consegue tornar os assentados autossuficientes, a Funai falha até mesmo na função mais básica, que é garantir a manutenção da integridade física, moral e cultural dos povos indígenas. Estudos do próprio governo apontam que mais de 60% das famílias assentadas ainda sobrevivem de cestas básicas doadas pelo governo, ou seja, no Brasil, a reforma agrária não está sendo útil nem mesmo para a agricultura de subsistência dos assentados.
  Para piorar o quadro, são poucos os assentados que têm vocação para a terra, de forma que a grande maioria não consegue plantar nem mesmo mandioca, milho, feijão, batata e abóbora para o consumo próprio. A dificuldade em plantar também pode estar relacionada com o fato de o governo apenas despejar estas famílias nos lotes, sem qualquer infraestrutura, assistência técnica ou incentivos, onde a grande maioria não pode contar nem mesmo com um trator para arar a terra.
 
É por isto que em meio aos protestos dos produtores rurais contra a crise que se instalou no campo com o alto custo da produção e a falta de segurança jurídica, o Ministério do Desenvolvimento Agrário tenha optado por eleger como principal diretriz a reestruturação de qualificação dos assentamentos, definindo as áreas prioritárias para realização da reforma agrária.
  É importante que o governo pense em melhorar os assentamentos, reduzindo o volume de favelas rurais, porém seria sensato se pensasse também no setor que tem carregado a economia nas costas, garantindo superávit da balança comercial, gerando divisas e empregos para a Nação. A questão é: passados seis anos e meio do governo Lula, será que o presidente da República tem real conhecimento da situação em que vivem as famílias assentadas por esse país afora? É por essas e outras que os agricultores não terão o que comemorar neste 28 de julho.
  Mesmo diante de todos esses problemas o presidente do Sindicato Rural de Caarapó, Jesus Camacho, parabeniza todos os agricultores em especial os de Caarapó e região pela sua evolução e as novas tecnologias desenvolvidas.

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