Indígenas bebem água em riacho enquanto torneiras continuam secas na Reserva
| DOURADOS AGORA
No Dia Mundial da Água, indígenas da cidade de Dourados passam sede. De acordo com lideranças, há três anos a comunidade aguarda a implantação de poços na Reserva, que nunca são ativados. Enquanto isto, famílias inteiras sofrem com as torneiras vazias. Uma das únicas opções para matar a sede é um riacho na Aldeia Bororó, onde as famílias enchem galões para dar o que beber às crianças, tomar banho e lavar roupa.
O presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi), Fernando da Silva Souza, diz a comunidade aguarda há 3 anos pela implantação de duas obras de captação de água iniciadas no ano passado através do Plano de Aceleração do Crescimentp (Pac), juntamente com a Sanesul.
Segundo Fernando, em uma das situações, na região do Guateka, a bomba do poço implantado não tem vazão suficiente para abastecer as casas das 728 famílias. “Por causa disto, há um revezamento no abastecimento às casas; 309 recebem água num dia e a outra metade no dia seguinte. Ficamos sabendo que seria necessário uma segunda bomba para atender toda a comunidade. O poço já foi construído, mas não atende a demanda”, destaca.
Na aldeia Bororó o problema é ainda mais grave. A água chega a cada 3 dias, segundo o vice capitão da Aniceto Velasques. A alternativa é andar vários metros com um balde na cabeça para conseguir água do riacho mais próximo.
A caiuá Simoni Rolin, de 21 anos, chega andar três quilômetros até o riacho para pegar água, na tentativa de matar a sede dos irmãos e dos pais. A água que ela dá de beber para as crianças é a mesma onde todas as famílias da aldeia tomam banho, lavam roupa e animais.
O resultado disto não poderia ser outro. As doenças pelo consumo de água imprópria começam a aparecer. “Todos os meus irmãos estão com diarréia e vômito. Não sei mais o que fazer, porque se não busco esta água, nós morremos de sede”, lamentou recentemente.
FUNASA
O superintendente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa/MS), Pedro Teruel, considerou a situação preocupante. Disse que assim que foi informado sobre o problema, na tarde de ontem, convocou uma ampla reunião para hoje com engenheiros e técnicos da Funasa, Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e Estado. O objetivo é identificar o problema e buscar uma solução.
Teruel diz que vai discutir a possibilidade da implantação imediata de um poço artesiano para substituir a água que é retirada do riacho. A medida é uma ação para evitar que as crianças fiquem doentes. Também destacou o empenho do presidente da Sesai, Nelson Olazar, em atuar junto com a Funasa na tentativa de resolver o impasse.


