Radares reduzem acidentes mas não as mortes no trânsito
O número de mortes aumentou de 50 para 65 de 2010 para 2011.
| CORREIO DO ESTADO
O aumento no número de equipamentos de controle de velocidade em Campo Grande em 2011 contribuiu para a redução em 13% no número de acidentes de trânsito nos meses de janeiro a novembro, em relação ao mesmo período de 2010. No entanto, a quantidade de mortes em decorrência de acidentes na Capital cresceu 30%, na mesma comparação. Os dados são do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran).
Conforme dados do Detran, de janeiro a novembro de 2010 e no mesmo período de 2011, o número de ocorrências caiu de 9.917 para 8.635. No entanto, o número de mortes aumentou de 50 para 65.
Durante todo o ano passado, a Agetran colocou em funcionamento 27 novos equipamentos de fiscalização eletrônica – entre lombadas, radares simples e Olho Vivo (aqueles instalados nos semáforos, que além da velocidade também flagram motoristas que cruzam o sinal vermelho). Com isso, Capital passou a contar com 68 equipamentos de controle de velocidade.
Além dos 68 equipamentos sob responsabilidade da Agetran, o Detran mantém lombadas eletrônicas em 26 faixas da cidade. Somente no Parque dos Poderes, são dez aparelhos, em cinco pontos diferentes.
Mortes
O aumento no número de mortes no trânsito também reflete a forma de contagem das vítimas. Até o ano passado, a Agetran computava apenas os óbitos ocorridos no local do acidente. A partir de maio de 2011, uma nova metodologia foi adotada, passando-se a registrar também as pessoas que morreram nos hospitais em decorrência das colisões. Isso pode justificar o aumento no número de mortes, apesar da redução dos acidentes.
Frota maior
Segundo os relatórios dos órgãos de trânsito, a vigilância eletrônica nas ruas da Capital tem contribuído para diminuir os abusos dos motoristas. Mesmo com o aumento de 8% na frota de veículos, houve redução no número de acidentes. Atualmente, existem 419.050 automóveis, carretas e motocicletas em Campo Grande. Em 2010, eram 387.999.
Por outro lado, analisando dados dos últimos seis anos, percebe-se que a quantidade de ocorrência oscilou aproximadamente dez pontos para mais ou para menos de um ano para o outro. Em 2005, foram registrados 7.509 acidentes, no ano seguinte, houve queda de 9%. Em 2007, subiu 10,5% em relação a 2006, passando a 7.535. Em 2008, nova queda, dessa vez de 7%. Aumentou 9% em 2009 e em 2010, registrou o maior crescimento, 39% - foram 10.643 acidentes de trânsito naquele ano.
Para o chefe de Divisão de Fiscalização de Trânsito da Agetran, Éder Vera Cruz, a vigilância eletrônica reduziu os acidentes nos locais onde foi implantada. “Talvez tenham tido colisões de pequeno dano, mas sem vítimas”, afirmou.
“Na Avenida Mato Grosso com a Bahia, por exemplo, onde houve acidente com morte e motoristas abusavam da velocidade, não houve mais ocorrências”, citou. “Também na Nelly Martins com a Avenida Mato Grosso, teve dois ou três acidentes fatais antes da colocação do equipamento, e depois, não mais. Outro ponto: na saída de São Paulo, nas Moreninhas, onde foi colocado radar e desde então não houve mais acidente com vítima.” (colaborou Lúcia Morel).


