Estressores Organizacionais X Síndrome de Burnout é tema de pesquisa
| CAARAPONEWS
Por José Carlos
A universitária de Caarapó, Cristiane Freitas Oliveira, realizou recentemente uma pesquisa sobre a relação entre os Estressores Organizacionais e a Síndrome de Burnout. O estudo faz parte do Trabalho de Conclusão do Curso (TCC), de Psicologia, no Centro Universitário da Grande Dourados (Unigran).
De acordo com a universitária o presente artigo se baseia em um estudo de campo, quantitativo de natureza aplicada baseado no método descritivo com abordagem transversal, desenvolvido junto à equipe de enfermagem de uma instituição filantrópica do município de Caarapó/MS. “Esse estudo buscou averiguar a relação entre os Estressores Organizacionais e a Síndrome de Burnout, e contou com a participação de 19 sujeitos, entre eles enfermeiro, técnico de enfermagem, e auxiliar de enfermagem”, informou.
Cristiane disse que conforme Murofuse, a Síndrome de Burnout é entendida como aquilo que deixou de funcionar por exaustão energética, expresso por meio de sentimentos de fracasso e exaustão, causada por um excesso de desgaste de energia que acomete, geralmente profissionais que trabalham direto em contato com pessoas.
“Tendo em vista que o profissional de enfermagem é um trabalhador que se enquadra em uma categoria profissional que pode vir a desenvolver a Síndrome de Burnout, esse trabalho justifica-se pela importância da busca de melhores formas de cuidados para com esses profissionais da enfermagem, devido ao seu contato diário com o sofrimento dos pacientes. Para isso, foram levantadas dificuldades vivenciadas pelos profissionais de enfermagem, bem como a atuação dos mesmos, para colaboração com o bem estar do ser humano e a melhoria na qualidade de vida dessas pessoas”, comentou a universitária.
Cristiane falou que para os escritores Elias e Navarro, alguns estudos apontam o hospital como sendo um local propício ao adoecimento, pois, além de todos os riscos a que seus trabalhadores estão expostos em relação a acidentes e doenças físicas, o surgimento de doenças psíquicas é muito comum e está em franca expansão em decorrência da pressão sofrida no ambiente de trabalho e fora dele. Entre os auxiliares de enfermagem, é freqüente a ocorrência de transtornos mentais como ansiedade e depressão por causa das condições de trabalho. O trabalho noturno também é causa de complicações/alterações na saúde. Isto ocorre em razão das longas jornadas de trabalho.
A universitária observou também que para o escritor Martins, os estressores são relacionados a poucos recursos, como a falta de suporte no trabalho por parte dos supervisores, falta de suporte de colegas, falta de controle e autonomia, falta de recompensa material causada pela redução de salário e por menos oportunidades de progresso na carreira.
Cristiane disse que de acordo com os dados coletados no Maslach Burnout Inventory (MBI), os sujeitos não apresentaram índices consideráveis para a presença da Síndrome de Burnout, apenas o fator de Estresse Pessoal no Trabalho (EPT) apresentou um percentual maior para o risco do desenvolvimento da síndrome. Os fatores de Despersonalização (DP) e Exaustão Emocional (EE) obtiveram percentuais baixos para o alto risco de incidência da Síndrome de Burnout.
Como resultado percebeu-se uma correspondência entre os dados encontrados no MBI e na Escala de Estressores Organizacionais (EET) que apontam para uma relação positiva entre a Síndrome de Burnout e os Estressores Organizacionais, ou seja, o ambiente é percebido como mais estressor à medida que a síndrome se desenvolve. Portanto, o ambiente organizacional é um fator que colabora na incidência da Síndrome de Burnout.
A universitária foi orientada pela professora Adriana Onofre Schmitz. Mais informações no telefone 3453 2191 ou nos celulares, 9667-7750 ou 8129-1249.


