Embrapa alerta para risco de poluição da água e inclui Caarapó entre áreas prioritárias em MS
| CAMPO GRANDE NEWS
Caarapó está entre os 19 municípios de Mato Grosso do Sul apontados como áreas prioritárias para o monitoramento da qualidade da água, segundo estudo realizado pela Embrapa Meio Ambiente e pela Embrapa Solos. A pesquisa identificou localidades onde características da produção agropecuária e condições ambientais indicam a necessidade de atenção aos riscos de poluição de rios, córregos e reservatórios.
O levantamento considera fatores que podem contribuir para a chamada poluição difusa, quando resíduos presentes no solo são carregados pela chuva até os cursos d’água. Entre os materiais que podem atingir esses ambientes estão fertilizantes, pesticidas, sedimentos e nutrientes provenientes das atividades rurais.
Além de Caarapó, a relação inclui Dourados, Rio Brilhante, Sidrolândia, Ivinhema, Itaquiraí, Ponta Porã, Maracaju, Nova Alvorada do Sul, Chapadão do Sul, Sonora, Angélica, Costa Rica, São Gabriel do Oeste, Terenos, Paraíso das Águas, Corumbá, Camapuã e Miranda.
Atividade agropecuária e condições do solo entram na avaliação
O estudo avaliou indicadores relacionados à produção rural, como o uso de fertilizantes nas lavouras, o número de animais nos rebanhos e as áreas de cana-de-açúcar que recebem fertirrigação. Também foram consideradas a disponibilidade de água e a vulnerabilidade do solo à erosão.
Na avaliação apresentada pela pesquisadora Rachel Bardy Prado, da Embrapa Meio Ambiente, Dourados registrou a maior pontuação entre os municípios sul-mato-grossenses nas duas análises divulgadas: 11 pontos na avaliação das fontes de poluição associadas à agropecuária e 13 pontos quando também são considerados fatores ambientais.
A inclusão de Caarapó na lista indica que o município está entre as áreas que merecem atenção no planejamento do monitoramento hídrico. No entanto, a classificação não significa, por si só, que a água local esteja contaminada. O estudo identifica áreas prioritárias a partir de indicadores de risco, e não substitui análises específicas da qualidade da água nos rios, córregos e reservatórios.
Chuvas intensas e períodos de seca podem agravar os riscos
As condições climáticas também influenciam o transporte de possíveis contaminantes. Segundo a pesquisadora, chuvas intensas e inundações podem levar resíduos presentes no solo para os corpos hídricos, aumentando a pressão sobre rios e córregos.
Por outro lado, períodos prolongados sem chuva podem agravar a escassez de água em regiões que já apresentam condições desfavoráveis de disponibilidade hídrica.
Para municípios com atividade agropecuária relevante, como Caarapó, o acompanhamento desses fatores é importante para orientar medidas preventivas e proteger os recursos hídricos utilizados pela população e pelo setor produtivo.
Embrapa recomenda conservação do solo e proteção das margens
Entre as medidas recomendadas para reduzir os riscos de poluição estão o uso adequado de fertilizantes, práticas de conservação do solo e manutenção da cobertura vegetal. A preservação da vegetação nativa nas margens dos cursos d’água também é apontada como uma medida importante para diminuir o transporte de sedimentos e resíduos para rios e córregos.
A pesquisa defende que governos e órgãos ambientais utilizem os resultados para orientar o monitoramento da água também em áreas rurais. A proposta é ampliar a atenção para fontes de poluição que nem sempre recebem o mesmo acompanhamento dedicado aos problemas associados ao esgoto nos centros urbanos.
Importação de fertilizantes em Mato Grosso do Sul caiu em 2026
Dados do boletim de setembro da Aprosoja-MS acrescentam outro aspecto ao cenário agropecuário estadual. Entre janeiro e setembro de 2026, Mato Grosso do Sul importou 116 mil toneladas de fertilizantes, volume 22% inferior às 148,6 mil toneladas registradas no mesmo período de 2025.
A maior redução ocorreu entre os fertilizantes fosfatados, cujas importações passaram de 15 mil para 8,7 mil toneladas, queda de 42%. Já as compras de fertilizantes nitrogenados recuaram 34%, de 87,2 mil para 57,6 mil toneladas.
Esses grupos de nutrientes estão entre os fatores considerados no estudo da Embrapa para identificar áreas prioritárias ao monitoramento da qualidade da água. Entretanto, a redução nas importações não significa necessariamente que houve diminuição no uso de fertilizantes nas lavouras, já que o consumo também depende de estoques disponíveis, compras realizadas anteriormente e decisões de manejo dos produtores.
Para Caarapó, a inclusão no levantamento reforça a importância de acompanhar as condições dos recursos hídricos e adotar práticas que conciliem a produção agropecuária com a conservação do solo e da água.



