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Pix sujo: investigados recebiam salário de R$ 4,6 mil e movimentaram R$ 3,8 milhões

| INVESTIGAMS/WENDELL REIS


O Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) verificou movimentação incompatível na conta de investigados na Operação Dirty Pix (pix sujo), que apura esquema de corrupção em Sidrolândia.

As investigações apontam que o pix que era transferido para seis vereadores (número revelado até o momento) vinham de duas empresas em contrato com o Hospital Municipal de Sidrolandia: Farma Medical e Pharbox.

“Numa simetria temporal que coincide com o montante considerável de recursos que ela – a Farma Medical – recebeu de hospitais e fundos de saúde vinculados a órgãos públicos, principalmente no Hospital de Sidrolândia… Não restando dúvidas de que os repasses para esses investigados se realizaram apenas e tão somente em razão do pagamento que o hospital de Sidrolândia fez para a empresa Farma Medical', diz trecho da investigação.

Os investigadores citam como exemplo um contrato onde o ex-assessor Júlio César Alves recebeu R$ 390 mil; Julia Carla Nascimento, uma intermediadora na distribuição de dinheiro a vereadores, R$ 100 mil; a servidora municipal Adriele Nogueira Trelha (diretora administrativa), R$ 90 mil; vereador Cledinaldo Cotocio R$ 25 mil e ex-vereador Cleyton Martins, R$ 20 mil.

Salário incompatível com valor que passava na conta

A polícia constatou que os valores que passavam pela conta de Júlio César Alves não batiam com o salário que ele recebia. Entre setembro de 2022 e janeiro de 2023, ele movimentou R$ 2,4 milhões, mesmo tendo salário de R$ 4,1 mil.

A servidora Adriele Nogueira Trelha também realizou movimentação atípica. Com salário de R$ 1,5 mil, ela movimentou R$ 1,4 milhão em cinco meses. Do total, R$ 70 mil foram para conta do diretor do hospital, Jacob Breure, que movimentou R$ 42,8 milhões.

O caso

A juíza May Melke determinou o afastamento dos vereadores Adavilton Joarildo Brandão, Cledinaldo Marcelino Cotócio e Izaqueu de Souza Diniz e de três ex-vereadores que hoje ocupam secretarias: Enelvo Felini foi exonerado da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico E Meio Ambiente; Cleyton Martins Teixeira, da secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento; e José Ademir Gabardo do cargo em comissão de Assessor de Serviços Especializados, vinculado à SEGOV, Município de Sidrolândia – MS.

Foram presos: diretor do hospital municipal, Jacob Breure, a policial Cristina Rosa, e o assessor Júlio César Alves. Ainda foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão nos Municípios de Campo Grande, Sidrolândia, Maracaju e Selvíria, em Mato Grosso do Sul.

A investigação do Gecoc teve início a partir da identificação de desvio de recursos públicos destinados à aquisição de um aparelho de ressonância magnética e de autoclave hospitalar, por convênio entre o governo de MS e a Sociedade Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, entidade responsável pela gestão do Hospital de Sidrolândia.

Apos a primeira fase da Operação Dirty Pix, em novembro de 2025, foram identificados elementos que indicaram desvios de recursos provenientes de outros convênios celebrados pela entidade, mediante a reprodução de um modus operandi estruturado e reiterado.

Segundo a apuração, o esquema investigado atingiu recursos públicos destinados à aquisição de equipamentos e materiais hospitalares, de unidade de terapia intensiva (UTI) móvel, bem como à execução de obras de reforma do Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, cujos valores ultrapassam R$ 18 milhões.

Os policiais constataram que eram elaborados planos de trabalho contendo informações fraudulentas, com superfaturamento de bens e serviços, e direcionamento das contratações para empresas previamente alinhadas ao núcleo investigado.

“Após o ingresso dos recursos públicos nas contas da entidade hospitalar, parte dos valores foi desviada das finalidades previstas nos respectivos convênios e posteriormente redistribuída por meio de sucessivas movimentações financeiras, envolvendo repasses diretos e indiretos a agentes políticos, articuladores, intermediários e interpostas pessoas', diz nota do MPE.

Ainda segundo o Gecoc, as provas obtidas revelaram o abuso do poder financeiro da organização, utilizado para fins de impor práticas de obstrução às investigações em curso.


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