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Enquanto trabalha para 'Paulo da Vale Verde', Dilermano cria portal e abocanha R$ 66 mil em publicidade

Dilermano Alves atua no Alô Mídia e, ao mesmo tempo, aparece como responsável pelo Real Mídia News, que recebeu R$ 66,4 mil em publicidade municipal

| JORNAL GRANDOURADOS/CAARAPONEWS


Farra das mídias em Caarapó coloca prefeita, empresário e jornalista no centro do debate

Um dos casos que chamam atenção nas planilhas de publicidade da Prefeitura de Caarapó envolve o jornalista Dilermano Alves, que mantém atuação profissional no Grupo Alô Mídia, ligado ao empresário Paulo Eduardo Martins, o “Paulo da Vale Verde”, e, paralelamente, criou o Real Mídia News, portal que passou a disputar o mesmo mercado de comunicação do município.

A situação chama atenção justamente pela relação profissional entre as partes: Dilermano trabalha em um grupo de comunicação e, ao mesmo tempo, mantém um portal próprio que atua no mesmo segmento e disputa publicidade institucional com o veículo em que trabalha.

Publicações do próprio Grupo Alô Mídia identificam Dilermano como jornalista e apresentador de conteúdos da empresa. Ele também aparece como autor de reportagens publicadas pelo Real Mídia News.

Segundo as planilhas apresentadas à Comissão de Finanças da Câmara Municipal, o Real Mídia News recebeu R$ 66.400,00 em publicidade da Prefeitura de Caarapó desde sua criação. O veículo, criado recentemente, teria passado a receber recursos públicos pouco tempo depois de começar a funcionar.

O caso ganha ainda mais relevância porque o Alô Mídia, grupo ao qual Dilermano está profissionalmente ligado, também aparece entre os beneficiários da publicidade municipal, com R$ 91.600,00 até junho de 2026, conforme os documentos analisados.

Somados, os dois veículos relacionados à atuação profissional de Dilermano representam R$ 158 mil em publicidade pública no período indicado nas planilhas.

A questão que precisa ser esclarecida

Mais do que a existência isolada dos pagamentos, o ponto que chama atenção é como um jornalista que trabalha para um grupo de comunicação ligado a 'Paulo da Vale Verde' conseguiu, paralelamente, criar um portal concorrente e inseri-lo na distribuição da publicidade institucional da Prefeitura.

A questão também envolve os critérios utilizados pelo município para definir os valores pagos a cada veículo. Segundo os documentos apresentados à Câmara, o Real Mídia News passou a receber R$ 12 mil mensais, valor superior ao destinado a veículos tradicionais e com maior presença no município.

A Rádio Jota FM, por exemplo, aparece nas planilhas com valor mensal correspondente a aproximadamente metade desse montante, apesar de possuir atuação consolidada em Caarapó e presença também no segmento digital.

O cenário coloca uma série de perguntas sobre a distribuição dos recursos públicos: quais critérios foram utilizados para contratar o Real Mídia News? A Prefeitura considerou audiência, alcance e tempo de existência dos veículos? Houve análise da relação profissional entre o proprietário do portal e o grupo que também recebe publicidade municipal?

A existência dos vínculos profissionais e os valores pagos estão documentados nas informações apresentadas à Câmara. Já eventual favorecimento, conflito de interesses ou irregularidade não pode ser concluído apenas a partir desses fatos e depende de apuração pelos órgãos competentes.

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul já apura denúncia envolvendo possíveis vínculos entre empresas de comunicação beneficiadas pela publicidade de Caarapó. O procedimento, segundo documentação divulgada anteriormente, busca verificar justamente possíveis relações societárias, editoriais ou operacionais e os critérios utilizados na distribuição dos recursos. Até o momento, não há conclusão do órgão sobre eventual irregularidade.

O que permanece no centro do questionamento é a combinação de três fatos: Dilermano Alves atua profissionalmente no grupo Alô Mídia, ligado a Paulo da Vale Verde; criou um portal próprio que concorre no mesmo mercado; e esse novo veículo passou a receber publicidade da Prefeitura de Caarapó, conforme as planilhas apresentadas ao Legislativo.

Além de tudo isso, a linha editorial de ambos os veículos são praticamente idênticas, com mesmas notícias com promoção pessoal da prefeita e os mesmos com ataques a adversários, o que mostra o vínculo e o conluio entre ambas, deixando a suspeita de que tais veículos foram criados apenas para abocanhar dinheiro do Município, tentar autopromover a prefeita e atacar seus adversários.


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