Vereador envolvido em acidente com adolescente continua preso após audiência
| INVESTIGAMS/WENDELL REIS
Polícia relatou ameaça e tentativa de suborno do vereador após fuga e perseguição
O vereador de Ponta Porã, Dionaldo Morinigo (PDT), continua preso, após se envolver em um acidente que deixou um adolescente de 17 anos em estado grave.
Segundo boletim de ocorrência, Dionaldo foi preso em flagrante após passar em alta velocidade com uma Hilux por uma lombada e bater na lateral de uma Saveiro dirigida pelo jovem.
Ainda segundo o relatado pela polícia, o vereador fugiu sem prestar socorro. Ele foi abordado por um escrivão da polícia que presenciou o acidente e lhe perseguiu por dois quilômetros. O policial contou que ao descer do carro ele nem acionou o freio de mão, colidindo o veículo com o do escrivão.
O policial relatou ainda que o vereador se apresentou como militar e político, indagando se teria uma forma de resolver o caso ali. O policial interpretou a fala como tentativa de suborno.
Ao ser abordado, o autuado identificou-se como militar e vereador, afirmando ostensivamente estar armado com uma pistola na cintura. Recusando-se a entregar o armamento sob a alegação de que o policial ‘não era nada’, passou a invocar sua condição política e parentesco com figura pública local, oferecendo vantagem indevida para que os policiais ‘resolvessem ali’', diz o registro.
Dionaldo se recusou a fazer o teste de bafômetro, mas foi descrito pelos policiais com hálito etílico, agressividade e desordem nas vestes. Latas de cerveja foram encontradas no carro.
“Com a chegada de guarnições o autuado passou a desacatar o policial civil na presença de todos os demais agentes públicos, chamando-o de ‘filho da puta’ e ‘policial de merda’, bem como proferiu ameaça direta e ostensiva de morte, bradando que ‘iria pegá-lo depois’.
O boletim de ocorrência foi registrado por lesão corporal, qualificada pela influência de álcool e majorada por omissão de socorro; corrupção ativa, desacato e ameaça. A justiça acatou pedido do MPE e passou a prisão de flagrante para preventiva.
“A conduta de ameaçar diretamente o policial responsável pelo flagrante, aliada à influência decorrente de seu cargo parlamentar e ao porte habitual de arma de fogo de grosso calibre, evidencia o risco concreto e palpável de intimidação sobre os agentes de segurança pública que testemunharam o fato, bem como sobre à vítima e seus familiares. A liberdade do investigado comprometeria a lisura da instrução penal', defendeu o promotor André Luiz de Godoy.
A defesa do vereador disse que vai recorrer da decisão em busca da liberdade provisória com ou sem monitoramento. “A defesa entende que é uma barbárie a manutenção da prisão e que os requisitos estão mais do que claros para que ele possa responder em liberdade'.



