PUBLICIDADE

André Mendonça afasta diretor-geral da Polícia Federal: 'evitar constrangimentos ilegais'

Na decisão, o ministro afirmou que está sendo monitorado pela Polícia Federal há mais de 30 dias

| TOP MíDIA NEWS/BRENDA SOUZA


O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues / Brenno Carvalho/O Globo

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (8) o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal. A decisão também afastou o delegado Leandro Almada da direção de Inteligência da corporação.

Segundo divulgado pelo O Globo, Mendonça detalhou que o afastamento é necessário para garantir que ministros do STF, o advogado-geral da União, Jorge Messias, e servidores da Polícia Federal possam exercer suas funções sem “constrangimentos ilegais”.

Na decisão, o ministro afirmou que está sendo monitorado pela Polícia Federal há mais de 30 dias.

Mendonça também determinou a suspensão da produção, elaboração e compartilhamento de relatórios de inteligência que tenham como objetivo analisar atos praticados no exercício das funções de integrantes do Judiciário, da Advocacia Pública e da Polícia Judiciária.

A decisão foi tomada durante a análise de um pedido apresentado pelo partido Novo, que solicitou medidas para preservar a independência e a integridade das investigações relacionadas aos casos Banco Master e INSS.

O partido havia pedido a prisão de Andrei Rodrigues. Mendonça, porém, decidiu pelo afastamento temporário do cargo.

Relatórios e mensagens

A decisão ocorre após questionamentos sobre relatórios de inteligência produzidos pela Polícia Federal no âmbito das investigações. Segundo as informações analisadas por Mendonça, os documentos não têm autoria identificada, não apresentam o brasão da República e não seguem a padronização prevista para documentos dessa natureza.

Um relatório de cerca de 200 páginas teria identificado menções a Andrei Rodrigues em mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo o material, Vorcaro teria enviado mensagens ao ministro Alexandre de Moraes nas quais mencionava a atuação de Andrei Rodrigues e do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Em uma das mensagens, o banqueiro teria pedido que Moraes tentasse convencer Andrei a adiar uma operação policial. Segundo o conteúdo citado na investigação, Vorcaro afirmou que, se a operação fosse adiada por mais uma semana, o banco não quebraria.

Em outra mensagem, o banqueiro questionou se seria possível reverter a situação com a ajuda de Paulo Gonet ou Andrei Rodrigues.

Na segunda-feira (7), Mendonça encaminhou à Procuradoria-Geral da República o relatório da Polícia Federal sobre as mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes.

Ao justificar a decisão, Mendonça afirmou que o afastamento cautelar de uma autoridade pode ser adotado quando existem elementos concretos e risco de interferência na investigação.

Segundo o ministro, a medida busca impedir eventual utilização das prerrogativas dos cargos para comprometer a coleta de provas, dificultar a atuação dos órgãos de investigação ou interferir em procedimentos administrativos relacionados aos fatos apurados.

O afastamento é uma medida cautelar e não representa, por si só, uma condenação ou conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade de Andrei Rodrigues ou Leandro Almada.

A Polícia Federal ainda não informou quem assumirá interinamente as funções.


PUBLICIDADE
PUBLICIDADE