Colheita se aproxima do fim, mas vendavais ainda ameaçam safra de milho
Restam cerca de 300 mil hectares a serem colhidos, mostra levantamento semanal da Aprosoja/MS
| HELIO DE FREITAS, DE DOURADOS / CAMPO GRANDE NEWS
A colheita do milho 2ª safra já atingiu 87,2% das lavouras de Mato Grosso do Sul. Levantamento semanal da Aprosoja/MS, que representa também produtores de milho e outros grãos, mostra que até o dia 28 de agosto, 1,92 milhão de hectares já tinham sido colhidos. No total, foram plantados 2,206 milhões de hectares.
Embora a área ainda a ser colhida represente menos de 15% das lavouras (cerca de 300 mil hectares), a Aprosoja/MS mantém alerta para eventuais prejuízos em decorrência de vendavais, especialmente na região centro-sul, onde ficam os cinco maiores produtores estaduais – Maracaju, Dourados, Sidrolândia, Ponta Porã e Rio Brilhante.
Gabriel Balta, coordenador técnico da Aprosoja/MS, informou nesta quarta-feira (2) que ainda não há registro de prejuízo nas lavouras em decorrência dos vendavais que atingiram municípios da região na segunda-feira (31).
“A colheita encontra-se em estágio avançado, alcançando aproximadamente 85% da área cultivada na região sul, que vem sendo afetada pelos vendavais observados recentemente. No entanto, seguimos monitorando os 15% restantes para verificar a ocorrência de eventuais impactos decorrentes desses ventos', afirmou ele, em nota enviada ao Campo Grande News.
Conforme o especialista, após a completa formação das espigas, os efeitos sobre a produtividade tendem a ser limitados. “Nesses casos, o principal impacto do acamamento (tombamento) está relacionado à operação de colheita, que se torna mais lenta e complexa, exigindo a utilização de equipamentos específicos para levantar as plantas e possibilitar a retirada adequada do milho do campo.'
Estágio da colheita
O boletim semanal sobre o acompanhamento da safra mostra que a região norte de Mato Grosso do Sul apresenta a colheita mais avançada, com média de 98,8% da área já colhida. Em seguida, aparece a região centro, com média de 86,3%, enquanto a região sul registra 85,6%. A porcentagem de área colhida nesta safra encontra-se inferior em 3,6 pontos percentuais em relação à 2ª safra anterior.
Segundo a Aprosoja/MS, a estimativa inicial é de produtividade média de 84,2 sacas por hectare, média observada nas últimas cinco safras. A produção total estimada é de 11,139 milhões de toneladas.
“Os resultados preliminares de produtividade obtidos ao longo da semana mantêm os elevados patamares já registrados anteriormente, evidenciando que as condições climáticas durante o ciclo da cultura favoreceram, de maneira geral, o desenvolvimento das lavouras. As produtividades observadas variam entre 40 e 192 sacas por hectare, reforçando o alto potencial produtivo da safra e sustentando as perspectivas positivas para a produção estadual', afirma o boletim.
Escoamento
O levantamento semanal chama a atenção para a saturação observada em silos de cerealistas e cooperativas em algumas regiões de Mato Grosso do Sul, o que tem causado filas para descarga. “A recomendação é que produtores reforcem o planejamento logístico do escoamento da produção, evitando gargalos justamente no momento em que colheita e preparo de área para a nova safra acontecem em paralelo', diz a Aprosoja/MS.
Transição
Conforme os técnicos do setor, Mato Grosso do Sul vive momento de transição no campo. Com a colheita do milho 2ª safra na reta final, a atenção dos produtores se volta agora para a safra de soja 2026/2027.
O Boletim Agricultura nº 676 mostra que a umidade residual do solo, combinada a pancadas de chuva isoladas registradas ao longo da semana anterior, tem favorecido a continuidade das operações de dessecação, além dos trabalhos de correção e adubação das áreas que serão destinadas à soja.
“O controle antecipado das plantas daninhas – em especial a buva – é considerado um dos pontos mais sensíveis do início de safra, já que interfere diretamente na eficiência do plantio e no potencial produtivo da lavoura', aponta o analista técnico da Aprosoja/MS, Lucas Santana.
El Niño
O monitoramento das lavouras também traz um prognóstico sobre o comportamento do clima para os próximos meses e aponta predominância do fenômeno El Niño muito forte, com magnitude severa e probabilidade total próxima de 100%, sendo aproximadamente 7% para a categoria El Niño Forte e 93% para El Niño Muito Forte.
Nos trimestres de outubro, novembro e dezembro, a previsão indica a manutenção do El Niño em intensidade forte a muito forte, com a categoria muito forte atingindo seu pico e alcançando até 95% de probabilidade.
Entre os principais impactos esperados estão temperaturas acima da média climatológica e maior frequência de ondas de calor, com efeitos mais expressivos entre a primavera e o início do verão. “Ressalta-se, contudo, que o fenômeno atua de forma indireta sobre as condições meteorológicas e seus efeitos dependem da interação com outros sistemas atmosféricos que influenciam o clima regional', diz o boletim da Aprosoja/MS.



