Motiva não teme que tarifaço reduza ainda mais tráfego na BR-163
A concessionária anunciou que o movimento na rodovia diminuiu nos dois primeiros trimestres deste ano, em balanços publicados antes da alta no pedágio
| CORREIO DO ESTADO / FELIPE MACHADO
A Motiva Pantanal, que administra a concessão da BR-163 em Mato Grosso do Sul, afirmou que não teme que o tráfego na rodovia continue reduzindo, baixa que foi observada nos dois primeiros trimestres deste ano em comparação com o igual período de 2025, mesmo com o aumento médio nas tarifas do pedágio em 40%.
Poucos dias antes de anunciar o reajuste na cobrança do pedágio, a concessionária publicou que o tráfego da rodovia recuou 3,8% no segundo trimestre, na comparação com igual período de 2025, passando de 12,855 milhões de veículos para 12,368 milhões, conforme balanço divulgado pela Motiva Pantanal.
E esta queda no tráfego, atribuída pela concessionária ao aumento dos combustíveis após os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, no fim de fevereiro, e ao consequente encarecimento dos fretes, não é um caso isolado.
No primeiro trimestre do ano, a empresa já havia reportado queda de 2,6% no número de veículos que passaram nas praças de pedágio. Nos três primeiros meses do ano passado foram 13,416 milhões. Em igual período deste ano, o total caiu para 13,017 milhões.
Por conta disso, o faturamento com a cobrança de pedágio recuou de R$ 108 milhões para R$ 107 milhões.
No segundo trimestre ocorreu fenômeno parecido, apesar do reajuste da tarifa em junho do ano passado. A queda no faturamento, segundo a concessionária, foi de 5,7%, passando de R$ 105 milhões para R$ 99 milhões.
Na soma dos dois trimestres, a empresa reporta recuo de 3,3% na arrecadação, que caiu de R$ 213 milhões para R$ 206 milhões.
Quanto ao pedágio, entraram em vigor ontem as novas tarifas nas nove praças da BR-163 em Mato Grosso do Sul, aumento autorizado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), com base no previsto contrato.
“A atualização das tarifas decorre da 1ª revisão ordinária do Contrato de Concessão otimizado da BR-163/MS, que considera a atualização monetária prevista contratualmente e a aplicação do primeiro degrau tarifário vinculado ao cumprimento das metas de investimentos estabelecidas pela ANTT”, expôs a Motiva Pantanal, em comunicado.
Mesmo com o incremento, a Motiva Pantanal disse que “não trabalha com a expectativa de que a atualização tarifária, prevista contratualmente, provoque uma redução significativa no volume de veículos”.
Ainda, a previsão da empresa é de que o tráfego sofra uma variação positiva nos próximos anos diante dos investimentos na rodovia e no Estado.
“As variações de tráfego observadas dentro do primeiro ano de concessão estão relacionadas a diversos fatores econômicos e setoriais, especialmente à dinâmica do transporte de cargas e da atividade econômica regional. A expectativa da Motiva Pantanal é de que os investimentos previstos e a melhoria contínua dos níveis de serviço contribuam para a atratividade e competitividade da BR-163/MS no longo prazo”, disse.
Segundo matéria veiculada pelo Correio do Estado, o aumento médio será de 40%. Por exemplo, o motorista de um carro de passeio vai gastar R$ 107 para percorrer os 845 quilômetros da BR-163, o que representa R$ 30,90 a mais que os atuais R$ 76,10.
Um caminhoneiro com veículo de oito eixos vai desembolsar R$ 856, cerca de R$ 250 a mais.
Este incremento médio na tarifa definido pela ANTT é 1% superior aos 39,3% solicitados pela empresa em maio. À época, a empresa pediu reajustes entre 37,8% a 41,3% no pedágio das nove praças nos 845 km da BR-163 no Estado.
O aumento é quase 10 vezes maior que a inflação dos últimos 12 meses, que ficou em 4,64%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
MINISTRO
Em dezembro de 2019, a Motiva Pantanal – que na época ainda se chamava CCR MSVia – chegou a pedir a extinção amigável e a relicitação da BR-163/MS após alegar desequilíbrio financeiro e suspender parte das duplicações previstas.
Naquela altura, a diminuição no tráfego foi um dos principais motivos para a descompensação contratual.
Na semana passada, durante visita à obra de duplicação da BR-163, em Campo Grande, o ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou que não tem receio de que a empresa “abandone” a concessão da BR-163 mais uma vez, já que agora os moldes do contrato garantem um reequilíbrio financeiro a depender do número de veículos trafegando pela rodovia.
“A gente mudou completamente o contrato. O contrato é a quinta etapa de uma política de concessão que o Brasil não tinha no passado, e lá nós temos uma banda de demanda, que comporta tanto o aumento quanto a queda. Então, a gente não tem mais essa preocupação, nem eles têm essa preocupação, porque o contrato atual protege eles em relação a isso”, explica o ministro.
George complementou dizendo que, mesmo que haja uma garantia que o contrato não entre em um novo desequilíbrio financeiro, acredita que o tráfego na rodovia deve aumentar nos próximos meses.
“Tem muito investimento iniciado aqui para Mato Grosso do Sul e isso vai gerar mais carga, mais volume de tráfego e vai mudar isso. Então, a gente não precisa se preocupar, tem previsão contratual, agora tem mecanismos de reequilíbrio, tem uma conta vinculada que tem dinheiro colocado nela para fazer esses ajustes de contrato como for necessário”, reforçou à reportagem.
À reportagem, a concessionária também explicou que o atual contrato “conta com mecanismos de compartilhamento de demanda, que trazem maior segurança ao contrato e mais previsibilidade para a manutenção da execução dos investimentos”.
Ao todo, a concessão prevê mais de R$ 9,3 bilhões em investimentos ao longo dos 29 anos de vigência.
* SAIBA
Atualmente, a BR-163 passa por duplicação em três trechos: em Campo Grande (entre o km 452 e o km 460); em Jaraguari (entre o km 510 e o km 511); e em Bandeirantes (entre o km 535 e o km 546). As intervenções fazem parte do novo contrato de concessão.



