Golpe do romance usa perfis falsos e mira mulheres acima dos 40 anos em MS
| DOURADOS AGORA/THIAGO MARQUES
Conversas frequentes, declarações de carinho e planos para uma relação que nunca se concretiza podem esconder o chamado golpe do romance. A fraude começa nas redes sociais e, após conquistar a confiança da vítima, os criminosos passam a pedir empréstimos, transferências ou pagamentos sob diferentes pretextos.
Em Mato Grosso do Sul, mulheres com mais de 40 anos, divorciadas, com filhos e perfis abertos nas redes sociais aparecem entre os principais alvos, segundo o delegado Leandro Azevedo, especialista em crimes cibernéticos. O fator explorado pelos golpistas não é falta de capacidade de defesa, mas a exposição de informações pessoais e emocionais que facilita a abordagem.
Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 apontam que o Estado registrou 12.061 ocorrências de estelionato em 2025. No ambiente eletrônico, foram contabilizados 5.299 casos, número inferior aos 5.503 registros de 2024. Os dados abrangem crimes digitais em geral e não correspondem exclusivamente ao golpe afetivo.
De acordo com o delegado, os criminosos fazem uma seleção prévia de possíveis vítimas a partir de publicações e informações disponíveis em perfis abertos. Em seguida, enviam mensagens genéricas e criam uma rotina de contato, sempre evitando encontros presenciais.
É comum que os golpistas se apresentem como estrangeiros ou profissionais que trabalham longe, como médicos, militares, empresários ou engenheiros em obras fora do país. Quando a vítima passa a acreditar na relação, surgem os pedidos de dinheiro.
Entre as estratégias relatadas estão a promessa de presentes que teriam ficado retidos na alfândega, com cobrança de supostas taxas para liberação, e pedidos de ajuda diante de falsas emergências. O valor pago, porém, vai diretamente para os fraudadores e o presente ou o encontro nunca acontece.
Homens e idosos também podem ser vítimas. Em determinados casos, a fraude evolui para ameaças e extorsões, principalmente após a troca de imagens íntimas. A orientação é interromper o contato, guardar mensagens, comprovantes e demais provas, além de procurar uma delegacia para registrar boletim de ocorrência.
Os principais sinais de alerta são elogios exagerados logo no início da conversa, demonstração de interesse muito rápida, histórias dramáticas, distância física e desculpas repetidas para não marcar um encontro. Com ferramentas de inteligência artificial, os criminosos ainda conseguem criar fotos, áudios, vídeos e textos falsos mais realistas, aumentando a necessidade de cautela nas relações iniciadas pela internet.



