Entrevista da prefeita Lurdes amplia desgaste político e levanta novos questionamentos sobre sua gestão em Caarapó
| CAARAPONEWS
A entrevista concedida pela prefeita Maria de Lurdes Portugal (PL), nesta quinta-feira (30), longe de reduzir a crise enfrentada pela administração municipal, acabou ampliando os questionamentos sobre a terceirização de cargos na Educação e a compra de materiais paradidáticos da Editora Avante, alvo de recente operação do Gaeco.
Anunciada na véspera como uma oportunidade para "falar a verdade" à população, a entrevista gerou frustração antes mesmo de começar. O conteúdo foi divulgado com cerca de 40 minutos de atraso em relação ao horário anunciado e, ao contrário do que era esperado após a divulgação feita nas redes sociais da prefeita, que haveria live também, não foi transmitido ao vivo, mas sim gravado previamente em seu gabinete e posteriormente levada ao ar.
A expectativa levou mães atípicas, servidores da Educação e outros moradores a cogitarem se concentrar em frente à emissora de rádio, na esperança de dialogar com a prefeita sobre a terceirização de pelo menos 169 funções da rede municipal. O movimento ocorreu dias depois da ausência da chefe do Executivo na sessão solene de retomada dos trabalhos da Câmara Municipal, ocasião em que também não houve o envio de representante oficial da Prefeitura.
Durante a entrevista gravada, a prefeita Maria de Lurdes afirmou que a terceirização foi debatida com a categoria e com os vereadores. As declarações, porém, foram contestadas poucas horas depois. O presidente do Simted, James Gotardi, afirmou que a prefeita não recebe a direção do sindicato desde janeiro e que houve apenas uma reunião com o secretário de Educação, na qual a entidade manifestou posição contrária à terceirização. Vereadores ouvidos pelo CaarapoNews também negaram ter participado de qualquer reunião para discutir a medida, afirmando que foram surpreendidos pela decisão.
Ao defender a terceirização, a prefeita sustentou que a medida não representa privatização e destacou os supostos benefícios do modelo. Entretanto, não respondeu às críticas de que trabalhadores que forem selecionados pela cooperativa deixam de ter direitos garantidos aos atuais contratados temporários, como férias remuneradas, décimo terceiro salário, verbas rescisórias e vale-alimentação.
Outro ponto que chamou atenção foi a abordagem sobre a compra de materiais paradidáticos da Editora Avante. A prefeita confirmou que a aquisição foi realizada em sua gestão, em 2025, e afirmou que toda a documentação está à disposição dos órgãos de controle. No entanto, não esclareceu os questionamentos sobre a ausência de parecer jurídico da Procuradoria-Geral do Município no processo de inexigibilidade, mas sim por assessoria jurídica privada que foi contrada, nem explicou por que a tramitação foi conduzida diretamente pela Secretaria Municipal de Educação, e não pelo setor de Licitação, pontos que seguem sendo alvo de críticas e questionamentos sobre possíveis irregularidades.
A entrevista também ignorou um dos episódios de maior repercussão dos últimos dias: o vazamento de um áudio atribuído a integrantes do núcleo político da prefeita, entre eles seu afilhado de casamento, o empresário "Paulo Vale Verde", no qual professores da rede municipal são alvo de críticas.
Ao comentar, em um grupo denominado "Mídia Interna", do qual a prefeita participa juntamente com outros integrantes da comunicação do município, uma publicação sobre a colocação de Caarapó no ranking salarial anual divulgado pela Fetems, o empresário, proprietário de uma rede de sites privados no município, criados durante a atual gestão e que recebem mensalmente recursos de publicidade institucional, afirmou:
"Vamos fazer uma matéria amanhã sobre isso. Mas dá uma olhadinha aí o caos que é a educação de Caarapó. Olha essa matéria aí que vamos colocar no Alô amanhã. 45º seria pouco. Teria que ser 70º esses professores aí. Eles estão produzindo é nada", disse Paulo Vale Verde
A ausência de manifestação da prefeita sobre o episódio aumentou a insatisfação entre profissionais da Educação.
Em meio às polêmicas, a administração enfrenta um desgaste crescente. A terceirização na Educação, os questionamentos sobre a contratação da cooperativa, a compra dos materiais da Editora Avante e o vazamento do áudio passaram a concentrar as críticas dirigidas ao governo municipal. Nas redes sociais do CaarapóNews, uma enquete com 878 participantes apontou que 61% classificaram a gestão como "péssima", 21% como "ruim", 9% como "regular" e 9% como "boa".
Mesmo se tratando de uma enquete realizada nas redes sociais, sem caráter científico, os números refletem a percepção dos participantes sobre o momento de forte desgaste político enfrentado pela atual mandatária caarapoense. Em meio às polêmicas envolvendo a terceirização de cargos na Educação, os questionamentos sobre a compra de materiais da Editora Avante e outros episódios recentes, a gestão enfrenta uma crescente onda de críticas e vê aumentar a pressão por respostas da população e dos diversos setores envolvidos.



