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Cortes no Hospital São Mateus provocam revolta após famílias relatarem amputações de crianças


A redução no repasse destinado ao custeio do Hospital São Mateus, em Caarapó, que resultou na suspensão das cirurgias ortopédicas, no corte dos serviços de anestesista especializado e das cirurgias de baixa complexidade, continua provocando indignação entre a população. Nas redes sociais, moradores relatam dificuldades para conseguir atendimento e cobram providências das autoridades.

Na última semana, um internauta identificado como Bil Guerreiro da Saúde e Estrada publicou um desabafo após o sobrinho, de apenas 3 anos, sofrer um acidente.

“É de se revolta!! Cadê a saúde que foi prometida para Caarapó? Meu sobrinho de 3 anos quebrou o dedo, e no hospital que recém foi inaugurado não tem anestesia, não é capaz de fazer uma cirurgia simples dessa. Foi encaminhado para Ponta Porã e, pela demora do atendimento, vai ser preciso amputar o dedo. Isso é revoltante, sem palavras.” (sic)

Após a publicação, uma leitora do CaarapoNews procurou a reportagem para relatar um caso semelhante vivido por sua filha.

Segundo ela, a criança prendeu um dos dedos do pé na corrente de uma bicicleta e foi levada imediatamente ao Hospital São Mateus. Após avaliação médica, foi solicitada vaga zero para Dourados por volta das 17h30. No entanto, o atendimento especializado ocorreu apenas após a meia-noite.

A mãe afirma que, ao chegar ao hospital de referência, o médico responsável pelo atendimento repreendeu a equipe que acompanhou a transferência e, posteriormente, explicou que o primeiro atendimento não teria sido realizado de forma adequada, pois faltaram procedimentos de limpeza e assepsia do ferimento, aumentando significativamente o risco de amputação. Segundo o relato, o profissional chegou a informar que poderia fornecer laudos e documentos caso a família optasse por ingressar com uma ação judicial.

Apesar dos esforços da equipe médica, a criança também acabou perdendo o dedo.

Os dois relatos aumentaram a preocupação da população sobre a capacidade de atendimento do único hospital do município. Moradores apontam que a falta de profissionais especializados, de materiais de consumo e a suspensão de serviços essenciais têm comprometido o atendimento de casos que antes eram resolvidos em Caarapó.

Conforme já noticiado, neste ano o Hospital São Mateus sofreu uma redução de quase R$ 90 mil nos repasses mensais destinados ao custeio por parte do Município de Caarapó. A diminuição dos recursos obrigou a direção da entidade a suspender as cirurgias ortopédicas, interromper os serviços de anestesista especializado e deixar de realizar cirurgias de baixa complexidade, além de adotar uma série de medidas de contenção de despesas para manter o funcionamento da unidade.

Além da redução do repasse, o hospital também enfrentou uma cobrança administrativa promovida pelo Município de Caarapó, no valor de quase R$ 500 mil. A entidade recorreu ao Poder Judiciário, que concedeu tutela de urgência suspendendo a cobrança por entender que a medida poderia agravar ainda mais a delicada situação financeira do hospital e comprometer a continuidade dos serviços prestados à população.

Mesmo diante das dificuldades, o Hospital São Mateus tem buscado apoio da comunidade, de lideranças políticas e recorrido a empréstimos para manter os atendimentos. A instituição afirma enfrentar uma grave crise financeira, situação que tem impactado diretamente a oferta de serviços especializados.

Enquanto isso, cresce a revolta da população, que cobra do poder público medidas concretas para fortalecer o hospital e restabelecer os serviços suspensos, evitando que pacientes precisem ser transferidos para outros municípios em casos de urgência e emergência, com risco de agravamento do quadro clínico, como relatado pelas famílias ouvidas pela reportagem.


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