Preso em Caarapó após feminicídio em Dourados, indígena é condenado a mais de 36 anos de prisão
| CAARAPONEWS
O indígena Wilson Garcia, preso na Aldeia Te'yikue, em Caarapó, horas após assassinar a companheira Juliana Domingues, foi condenado a 36 anos, 10 meses e 13 dias de prisão pelo crime de feminicídio. A sentença foi definida durante julgamento realizado na terça-feira (21) e divulgada nesta quarta-feira (22) pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).
Embora o crime tenha ocorrido na Aldeia Nhu Porã, em Dourados, Caarapó teve papel decisivo na conclusão da ocorrência. Logo após matar a companheira, Wilson fugiu e se escondeu na casa dos pais, localizada na Aldeia Te'yikue. Após buscas ininterruptas das forças de segurança, ele foi localizado e preso em flagrante no município.
O processo tramita em segredo de Justiça, mas o MPMS informou que o Tribunal do Júri acolheu integralmente a tese apresentada pelo promotor de Justiça Luiz Eduardo de Souza Sant Anna, reconhecendo a prática do feminicídio com circunstâncias que aumentaram a pena.
Entre os fatores considerados pelos jurados estão o fato de o crime ter sido cometido na presença dos filhos da vítima e a constatação de que Juliana praticamente não teve possibilidade de defesa diante da violência do ataque.
Além da pena de prisão, Wilson Garcia foi condenado ao pagamento de, no mínimo, R$ 20 mil por danos morais aos herdeiros da vítima. A Justiça determinou ainda o início imediato do cumprimento da pena em regime fechado, sem o direito de recorrer em liberdade.
Crime chocou a região
O feminicídio aconteceu na noite de 18 de fevereiro de 2025, entre 21h e 22h, na residência onde o casal vivia, na Aldeia Nhu Porã, em Dourados.
Segundo as investigações, Juliana Domingues e Wilson Garcia conviviam havia cerca de oito anos e tinham um filho de sete anos. Outro filho da vítima, de 11 anos, também morava na casa.
Naquela noite, uma discussão entre as crianças teria desencadeado um desentendimento entre o casal. Durante a confusão, Wilson se armou com uma foice e atacou Juliana, que morreu no local. Os dois filhos presenciaram o assassinato.
Após o crime, o autor fugiu em direção a Caarapó, onde tentou se esconder na residência dos pais, na Aldeia Te'yikue. A rápida atuação das equipes policiais resultou na localização e prisão do suspeito poucas horas depois.
O caso teve grande repercussão em Mato Grosso do Sul e marcou o terceiro feminicídio registrado no Estado em 2025, reforçando o alerta das autoridades para o enfrentamento da violência contra a mulher.



