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Mesmo com 6 esmagadoras, MS ainda vende quase metade da soja como commodity

Estudo aponta espaço para ampliar o processamento e agregar valor à produção estadual

| ANDERSON VIEGAS / CAMPO GRANDE NEWS


Esmagadora de soja em Dourados, uma das seis em operação no estado (Foto: Coamo/Divulgação)

Mato Grosso do Sul ainda exporta 43% da soja produzida sem qualquer processamento industrial, comercializando o grão como commodity mesmo figurando entre os maiores produtores do país. Um estudo da Aprosoja/MS (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul) conclui que parte desse volume poderia permanecer no Estado para abastecer novas indústrias de esmagamento, agregando valor à produção, fortalecendo a agroindústria e reduzindo a dependência da exportação de matéria-prima.

A avaliação mostra que o potencial para ampliar a industrialização vai além da teoria. Mesmo considerando o parque industrial atualmente instalado e o volume exportado, Mato Grosso do Sul ainda teria cerca de 1,71 milhão de toneladas de soja potencialmente disponíveis para abastecer uma nova indústria de processamento. A estimativa indica que ainda existe espaço para expandir a verticalização da cadeia produtiva no Estado.

O cenário parte de uma base robusta de produção. Na safra 2024/2025, Mato Grosso do Sul colheu 14,06 milhões de toneladas de soja e outras 13,9 milhões de toneladas de milho. Enquanto apenas 14,4% do milho produzido foi exportado, quase metade da soja deixou o Estado na forma de grão, sem passar por qualquer etapa de beneficiamento industrial.

A proposta do estudo é ampliar o processamento interno dessa matéria-prima. No esmagamento, a soja é transformada principalmente em farelo, destinado à alimentação animal, e óleo bruto, utilizado pelas indústrias alimentícia, química e de biocombustíveis. Além de agregar valor ao produto, a industrialização amplia a diversificação econômica e reduz a exposição às oscilações do mercado internacional de commodities.

Atualmente, Mato Grosso do Sul conta com seis indústrias de esmagamento em operação e uma sétima unidade em construção. As plantas industriais estão localizadas em Dourados, onde operam Coamo e Bunge ; Campo Grande (ADM); Três Lagoas (Cargill); Caarapó (Cooperativa Lar); e Sidrolândia (Rio Pardo Proteína Vegetal). Em Naviraí, a Copasul implanta uma nova unidade. Juntas, as plantas possuem capacidade para processar aproximadamente 17,5 mil toneladas de soja por dia, o equivalente a 6,3 milhões de toneladas por ano.

Outro ponto destacado pelo levantamento é que a expansão das esmagadoras pode ajudar a enfrentar um dos principais gargalos da logística agrícola estadual: a armazenagem. Mato Grosso do Sul possui 627 unidades armazenadoras, com capacidade estática para 15,59 milhões de toneladas, enquanto a produção conjunta de soja e milho supera 28 milhões de toneladas. O déficit estimado é de aproximadamente 12,4 milhões de toneladas.

Esse desequilíbrio faz com que parte da produção precise ser comercializada durante a colheita ou deslocada para outros municípios e estados, elevando custos com transporte e armazenagem terceirizada. Segundo o estudo, apenas oito dos 78 municípios sul-mato-grossenses possuem capacidade de armazenagem superior ao volume produzido. Nos demais, o déficit reduz a flexibilidade comercial dos produtores e aumenta a pressão pelo escoamento da safra.

 Sob a ótica logística, o estudo identifica as regiões sul e sudoeste como as mais favoráveis para receber novos investimentos. Além de concentrarem a maior parte da produção estadual, essas áreas contam com melhor infraestrutura rodoviária e estão próximas dos polos consumidores de farelo de soja, especialmente a cadeia de proteína animal instalada em Mato Grosso do Sul e na região Sul do país. Já as regiões norte e nordeste apresentam maior dependência da BR-163 e da Ferrovia Malha Norte para o escoamento da produção.

Os autores ressaltam que a implantação de novas indústrias depende de fatores como oferta contínua de matéria-prima, margem de esmagamento (crush spread), incentivos fiscais, ambiente tributário, competitividade e demanda pelos derivados da soja. Também alertam que o aumento da concorrência pelo grão pode reduzir a rentabilidade das empresas em anos de quebra de safra ou maior pressão das exportações.

Na conclusão, o estudo afirma que Mato Grosso do Sul reúne condições para avançar em um novo ciclo de agroindustrialização. Além de agregar valor à produção agrícola, a ampliação do processamento pode reduzir a dependência da exportação de soja em grão, fortalecer as cadeias de proteína animal e biodiesel, diversificar a pauta exportadora e ampliar a competitividade do Estado, especialmente com a consolidação da Rota Bioceânica.


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