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Psiquiatra afirma que escola virou o pior ambiente para trabalhar e conviver

| DOURADOS AGORA/FLáVIO VERãO


Elisabete é médica psiquiatra e professora da UFGD - Foto: Reprodução

A médica psiquiatra e professora titular da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Elisabete Castelon Konkiewitz, publicou um vídeo em seu canal no YouTube em que faz uma avaliação contundente sobre o ambiente escolar atual. Segundo ela, a partir da experiência clínica acumulada ao longo de décadas, as escolas se tornaram o pior local para trabalhar e conviver.

Com especializações em Neurologia e Psiquiatria realizadas na Alemanha e doutorado em Neurologia pela Technische Universität München, Elisabete atua há mais de 30 anos nas áreas de atendimento clínico, pesquisa e ensino superior. Também é autora de livros e artigos científicos voltados a transtornos de aprendizagem, autismo, altas habilidades, depressão e neuroinflamação.

No vídeo, a psiquiatra afirma que chegou à conclusão após observar o perfil de pacientes atendidos ao longo da carreira, incluindo professores, coordenadores, alunos e famílias ligadas ao ambiente educacional.

“Estou convicta de que a escola é o pior lugar para uma pessoa trabalhar', afirma a especialista ao longo da gravação.

Entre os fatores apontados por Elisabete estão o que chama de “desempoderamento do professor', a perda de instrumentos disciplinares, excesso de burocracia, ambientes físicos precários, conflitos interpessoais e o aumento do adoecimento emocional entre profissionais da educação. Segundo ela, muitos professores chegam aos consultórios traumatizados e esgotados emocionalmente.

A psiquiatra também atribui parte do cenário ao avanço do uso excessivo de telas, à redução da capacidade de concentração dos alunos e às mudanças nas estruturas familiares, que, na visão dela, teriam fragilizado vínculos e diminuído o suporte emocional oferecido às crianças.

Outro ponto abordado pela professora universitária é a infraestrutura das escolas. Ela relata ter encontrado ambientes deteriorados, superlotados e pouco adequados ao aprendizado, além de criticar a burocracia enfrentada por docentes e gestores.

Ao longo do vídeo, Elisabete ainda questiona modelos pedagógicos que, segundo ela, priorizam correntes ideológicas em detrimento de métodos baseados em evidências científicas. Como alternativas, defende classes menores, ambientes mais acolhedores, redução da burocracia, fortalecimento do trabalho colaborativo e maior valorização dos profissionais da educação.

A especialista ressalta que suas observações representam uma visão construída a partir da prática clínica e reconhece que o tema é complexo. Ela afirma que o conteúdo do vídeo também funciona como um desabafo diante do aumento de casos relacionados ao sofrimento psíquico associado ao ambiente escolar.


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