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Áudios vazados mostram empresário ligado à prefeita Lurdes debochando de professores e discutindo publicações de site em grupo com a gestora

| CAARAPONEWS


Prefeita Lurdes Portugal e Paulo Eduardo Martins tiveram aúdio postado em grupo vazado

Áudios vazados que passaram a circular nos últimos dias em grupos de WhatsApp ligados à educação de Caarapó e que chegaram à redação do CaarapoNews revelam uma conversa que levanta novos questionamentos sobre a relação entre a prefeita Maria de Lourdes Portugal (PL) e o empresário Paulo Eduardo Martins, conhecido como "Paulo Vale Verde", proprietário de um grupo de veículos de comunicação criados durante a atual gestão, entre eles os sites Alô Caarapó e Alô Mídia.

O vídeo mostra mensagens trocadas em um grupo de WhatsApp denominado "Mídia Interna", do qual participariam a prefeita e o empresário. Em determinado momento é compartilhado o ranking salarial divulgado anualmente pela Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (Fetems), no qual Caarapó caiu de posição após o início da atual administração municipal.

Na sequência, aparece um áudio atribuído à prefeita Maria de Lourdes, identificada no aplicativo como "Comadre Lurdes", afirmando:

"Isso daí foi um post da Fabiana, prefeita de Eldorado."

Logo depois, Paulo Eduardo Martins envia um áudio orientando a publicação de uma matéria e fazendo críticas aos profissionais da educação. Na gravação, ele afirma:

"Vamos fazer uma matéria amanhã sobre isso. Mas dá uma olhadinha aí o caos que é a educação de Caarapó. Olha essa matéria aí que vamos colocar no Alô amanhã. 45º seria pouco. Teria que ser 70º esses professores aí. Eles estão produzindo é nada."

A declaração provocou indignação entre professores da rede municipal por atribuir à categoria a responsabilidade pelo desempenho de Caarapó no levantamento da Fetems e por desqualificar o trabalho dos profissionais da educação.

A reportagem do CaarapoNews apurou a autenticidade dos áudios e confirmou a existência do grupo de WhatsApp onde o conteúdo foi compartilhado. (Para assisitir ao video e ouvir os aúdios acessem as páginas do @CaarapoNews no Instagram e no Facebook)

Relação entre prefeita e empresário volta ao centro das atenções
Além do teor ofensivo contra os professores, o conteúdo do grupo reforça questionamentos que o CaarapoNews vem publicando desde o início da atual gestão sobre a proximidade entre a prefeita Maria de Lourdes Portugal e Paulo Eduardo Martins. (Leia aqui)

Segundo reportagens já publicadas pela nossa redação, Paulo Eduardo Martins é afilhado de casamento da prefeita Maria de Lourdes Portugal. O empresário também é proprietário de veículos de comunicação que surgiram durante a atual administração e passaram a receber contratos de publicidade institucional da Prefeitura.

Os sites ligados ao empresário têm sido utilizados com frequência para divulgar ações da administração municipal e promover a imagem da prefeita, ao mesmo tempo em que publicam conteúdos críticos a adversários políticos da atual gestão.

Agora, os áudios revelam um elemento novo: a existência de um grupo denominado "Mídia Interna", no qual a prefeita e o empresário discutem conteúdos que seriam publicados nos veículos de comunicação pertencentes ao próprio empresário.

O material reforça os questionamentos sobre a independência editorial desses veículos e sobre a relação entre a administração municipal e empresas privadas que recebem recursos públicos destinados à publicidade institucional.

Ministério Público já investiga contratos de publicidade
A relação entre Paulo Eduardo Martins, seus veículos de comunicação e a Prefeitura de Caarapó já é alvo de investigação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

O órgão instaurou uma Notícia de Fato para apurar possíveis irregularidades na distribuição das verbas de publicidade institucional do município, procedimento que ficou conhecido como a "Farra das Mídias".

Conforme descrito na representação apresentada e acatada pelo Ministério Público, verbas de publicidade da Prefeitura estariam sendo direcionadas a um grupo restrito de empresas de comunicação que apresentariam vínculos societários, editoriais ou operacionais entre si, circunstância que, em tese, pode indicar ausência de concorrência efetiva e possível direcionamento das contratações.

Entre os veículos mencionados na representação estão Alô Mídia Conteúdo e Comunicações, Alô Caarapó, Portal da Cidade Caarapó e Real Mídia News.

Segundo a denúncia, essas empresas funcionariam no mesmo endereço físico, manteriam relações cruzadas e apresentariam padrão repetitivo de pagamentos, com notas fiscais de valores semelhantes para campanhas distintas, sem detalhamento público suficiente sobre as entregas realizadas, métricas de alcance ou justificativas técnicas individualizadas.

Ainda de acordo com a representação, essas circunstâncias também poderiam indicar, em tese, contratações seriadas ou eventual fracionamento de despesas, principalmente porque não estariam claros os critérios técnicos utilizados para a escolha desses veículos, cujo alcance seria limitado no município. A denúncia ressalta ainda que parte deles foi criada durante a atual gestão, com menos de um ano de existência quando passou a receber recursos públicos.

Novo episódio amplia desgaste
Os áudios vazados acrescentam um novo componente ao debate público. Se antes os questionamentos se concentravam na destinação das verbas de publicidade institucional, agora o material revela uma interlocução direta entre a prefeita e o empresário sobre conteúdos que seriam publicados em veículos privados pertencentes justamente a um dos principais beneficiários dos contratos de publicidade da Prefeitura.

Também chama atenção o tratamento dispensado aos professores da rede municipal. Enquanto a categoria reivindica valorização profissional e melhores condições de trabalho, o empresário afirma, em áudio, que os docentes "não estão produzindo nada", declaração que provocou forte repercussão entre servidores da educação.

O conteúdo poderá reforçar os questionamentos já existentes e eventualmente ser considerado pelo Ministério Público caso o órgão entenda que os novos elementos possuem relevância para a investigação em andamento.

 


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