Disputa no PL favorece candidatura do PT ao Senado, avalia Vander Loubet
Após 6 mandatos como deputado, petista quer ser senador; são 2 vagas este ano
| MARISTELA BRUNETTO / CAMPO GRANDE NEWS
O fato de o PL (Partido Liberal) vivenciar uma disputa interna em que 3 nomes querem concorrer ao Senado, com o presidente do partido no Estado, o ex-governador Reinaldo Azambuja, o ex-deputado Renan Contar e ainda o deputado federal Marcos Pollon, pode ajudar sua candidatura, avalia o deputado federal e presidente do PT no Estado, Vander Loubet. São campos políticos diferentes, mas a situação “embolada' enfraquece um eventual segundo nome a ser eleito no grupo. Loubet aponta que nos 6 mandatos teve uma atuação forte nos municípios, independente dos partidos dos prefeitos, e isso deve resultar em apoio agora.
Este ano, encerram-se os mandatos de Nelson Trad Filho (Nelsinho Trad, PSD-MS) e Soraya Thronicke (PSB-MS), ambos pré-candidatos à reeleição. Com isso, são pelo menos seis nomes no páreo pelos dois votos de cada eleitor.
Ele acredita que a existência de três nomes no mesmo grupo adversário, no caso, o PL, pode favorecê-lo, porque persiste um cenário embolado e o legado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá ajudá-lo a ser o segundo nome. Ele sugere que o grupo ligado à candidatura à reeleição do governador Eduardo Riedel (PP) deve emplacar um nome, enquanto o ligado ao presidente Lula fará o outro.
Ele menciona como destaques em seu favor o fato de o presidente ter apoiado pleitos do Governo de Mato Grosso do Sul, como na obtenção de financiamentos para obras, que ele diz ter tido intervenção determinante, além de outras parcerias entre Executivos federal e estadual. “Quem ganha com isso é o Estado', diz sobre o empenho em favor de verba para asfalto em uma série de cidades do Conesul.
Sobre o fato de ter outros dois candidatos, Soraya e Nelsinho, com o perfil de um apoio muito ativo em favor de prefeituras, ele diz que seu histórico partidário o diferencia de Trad, que deve se ligar ao grupo de Riedel. Ele defende que terá como bandeiras a defesa da democracia e da soberania, temas que vê como essenciais para a próxima legislatura do Senado, além de discussões como as chamadas terras raras, com a exploração da riqueza mineral do Brasil. O político aponta que Lula reconhece como determinante fazer nomes para o Senado. A recente rejeição do indicado ao STF (Supremo Tribunal Federal) Jorge Messias indica a necessidade de ampliar o apoio e evitar tensões institucionais entre os poderes.
Em relação aos temas locais, Loubet cita a retomada da fábrica da UFN (Usina de Fertilizantes Nitrogenados) para produzir fertilizantes em Três Lagoas, o incentivo a novas empresas a virem ao Estado e o esforço pela concretização de projetos estruturantes.
Feitos de Lula - “O presidente Lula tem se preocupado com o pequeno, mas tem atendido muito os grandes', diz, apontando a abertura de mercados e acesso a créditos para a agricultura. Para ele, mesmo no cenário polarizado, com muitos empresários identificados com a oposição, persiste uma margem de 15% de indecisos que no momento certo verão a diferença entre os candidatos e reconhecerão os feitos do Governo Lula 3.
“O setor pode ter diferença conosco, mas sabe que o presidente Lula é uma pessoa com muita responsabilidade na condução do País.' Ele cita o desempenho diante da crise por tarifas impostas pelo presidente norte-americano Donald Trump, que resultou em “uma das melhores negociações' entre países atingidos. Loubet diz que Lula é “antenado' quanto à geopolítica e isso é relevante para o País, forte em exportações de commodities.
Na análise do presidente do PT, essas informações também ajudarão na disputa estadual. O PT deve lançar candidato ao governo, o advogado e ex-deputado federal Fábio Trad. Loubet mencionou que já começaram um giro para se reunir com lideranças locais, começando pelo Conesul, região que considera determinante para a eleição, e seguirão com caravanas para outras cidades, agora rumo ao Norte.
Incentivos e desenvolvimento – O pré-candidato diz que no debate estadual o PT defenderá que o modelo de gestão do Estado segue formato adotado no final dos anos 90, quando o partido assumiu o Governo do Estado, com fundos para obras rodoviárias (Fundersul- Fundo de Desenvolvimento do Sistema Rodoviário de Mato Grosso do Sul), cultura, área social e esporte. Outro ponto que considera determinante para a campanha é um debate sobre o retorno dos recursos que o Estado abre mão por meio de incentivos fiscais.
“Não que você não precise trabalhar com incentivo, mas não dá para trabalhar da forma como está.' Ele fala em relação ao retorno das empresas para a sociedade local, com contrapartida para as demandas que surgem nas cidades, como habitação e educação, “senão você arrebenta com o município'; além da centralização de novos empreendimentos. O político defende que o incentivo, apontado por ele já na soma de R$ 11.090 bilhões, deve estar associado a um modelo de crescimento econômico espalhado em diferentes regiões.
Loubet também cita a remuneração dos servidores como outro tema que o partido colocará na campanha. Entre os temas que quer defender no Senado, Loubet cita o fim da escala 6x1 para trabalhadores e a isenção do imposto de renda para faixas salariais menores. Ele ainda fala sobre o Corredor Bioceânico e a necessidade de legislação moderna, especialmente na questão aduaneira, para evitar embaraços à circulação de mercadorias nas fronteiras. Ele também aponta que a situação fronteiriça envolve um debate necessário sobre a união de esforços dos entes na segurança pública.
O PT já atraiu o PV e o PSB, com a vinda dos nomes do vereador Marcos Trad, para eventual candidatura a deputado federal, e Soraya à reeleição no Senado, respectivamente, além do PCdoB e negociações com o PDT. A ampliação do arco de alianças ajuda a “dar mais musculatura para a chapa.'


