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Ferro x Renato: disputa política esquenta com críticas e previsão de derrota nas urnas

| FLAVIO VERãO


A situação precária da Escola Municipal Rural Benedita Figueiró de Oliveira, conhecida como Escola Agrícola, provocou um novo embate político em Ivinhema. O tema, que já mobiliza pais, alunos e autoridades, agora também virou motivo de troca de acusações públicas entre o deputado estadual Renato Câmara e o prefeito Juliano Ferro.

A polêmica ganhou força após Renato publicar um vídeo nas redes sociais utilizando a trend “será”, levantando questionamentos sobre a condução da escola. Entre as indagações, o deputado sugeriu possível falta de investimentos e até levantou suspeitas sobre eventual intenção de desocupação da área, para venda. Sem citar o nome do prefeito, as críticas foram, obviamente, direcionadas à atual gestão municipal.

A resposta veio rapidamente. Juliano Ferro gravou um vídeo rebatendo o deputado e adotou tom duro. O prefeito afirmou que não costuma responder “quem não produz” e criticou Renato por, segundo ele, não destinar recursos ao município. Em tom ainda mais incisivo, Ferro declarou acreditar que o parlamentar não conseguirá se reeleger nas próximas eleições de outubro, afirmando que Ivinhema precisa de representantes mais atuantes.

O prefeito também acusou o deputado de pouca contribuição durante seus mandatos e disse que ele estaria “apagado” politicamente. Já Renato, por sua vez, tem defendido a importância histórica da Escola Agrícola e ressaltado que, quando foi prefeito, realizou melhorias na unidade, incluindo reformas e implantação de estrutura para ensino técnico.

A escola, criada para oferecer ensino fundamental, médio e formação técnica em agropecuária, já foi referência na formação de profissionais para o setor rural. No entanto, ao longo dos anos, a falta de manutenção comprometeu o funcionamento do espaço. Atualmente, alunos da rede estadual estão sendo atendidos em um barracão improvisado, considerado inadequado.

A situação gerou revolta na comunidade. Na semana passada, moradores e estudantes organizaram protesto em frente à unidade, cobrando providências e denunciando as condições do local.

Diante do cenário, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul entrou na disputa institucional e ajuizou Ação Civil Pública contra o Estado e o Município. A investigação apontou problemas estruturais graves, como falta de climatização adequada, ausência de biblioteca e refeitório, além de irregularidades sanitárias e de segurança.

O MP pede medidas urgentes, como a transferência dos alunos para um espaço adequado ou a reforma completa da estrutura em até três meses, sob pena de multa diária. A ação também destaca que limitações orçamentárias não podem justificar a manutenção de um ambiente escolar inseguro.

Enquanto isso, a gestão municipal afirma que herdou escolas em situação crítica e que já promoveu melhorias em diversas unidades. Segundo Juliano Ferro, a reforma da Escola Agrícola depende de recursos estaduais e está orçada em mais de R$ 3 milhões, com previsão de apoio do governo para execução futura.

O caso agora aguarda decisão da Justiça, enquanto a disputa política segue acirrada e a comunidade escolar cobra soluções concretas.


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