Prisão de sargento identificado por ‘ter bigode’ revolta policiais em MS
| MIDIAMAX
Um sargento da PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul) está preso desde o último dia 6 de abril, depois de um reconhecimento remoto ser supostamente feito apenas com base no fato de ele “ter bigode”.
O militar é suspeito de participar de uma abordagem do TOR (Tático Ostensivo Rodoviário) em Ponta Porã. Contudo, a Aspra (Associação de Praças da Polícia Militar e Bombeiro Militar de Mato Grosso do Sul) afirma que o sargento estava de serviço, no entanto, não pertence a equipe especializada do TOR.
Policiais denunciados por truculência
Tudo começou quando um servidor público de Brasília (DF) denunciou uma equipe da BPMRv (Batalhão de Polícia Militar Rodoviária) por uma abordagem truculenta ocorrida na noite do dia 18 de setembro do ano passado, em uma rodovia na região de fronteira.
Na ocasião, o servidor teria vindo a Mato Grosso do Sul na tentativa de “recuperar um maquinário que havia sido furtado no DF”. No entanto, durante o retorno, foi abordado pela equipe.
Ele relata que os policiais teriam mandado ele sair do veículo e se ajoelhar, inclusive colocando uma arma em sua cabeça. Além disso, eles teriam dito para o homem abrir os braços e disparado na direção da mão dele.
Ao retornar para o seu estado de origem, cerca de 16 dias após a abordagem, o homem conseguiu denunciar a ação na Corregedoria da PMMS. Assim, a partir daí, foi aberto um inquérito para apurar a denúncia.
Em uma das versões, o servidor teria dito que um dos militares tinha bigode, pele branca e era alto — sendo ele quem teria realizado o disparo.
Durante as investigações, quatro militares foram identificados, mas, até então, o nome do sargento que foi preso não teria sido mencionado no processo. Por falta de provas concretas, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) solicitou o arquivamento do caso.
“Das diligências efetuadas, é possível concluir que não consta, nos autos, indícios suficientes da prática de crime militar ou comum, por parte dos investigados“, diz trecho da decisão.
Mesmo depois do arquivamento, o servidor federal seguiu recebendo mensagens ameaçadoras. Com isso, conseguiu reabrir o caso e dois militares foram presos, sendo dois sargentos. Entretanto, segundo a Aspra, um deles não fazia parte nem da equipe naquele dia.
“Não integrava a guarnição denunciada, tampouco pertence à equipe que foi investigada, sendo indevidamente vinculada a uma abordagem da qual não participou”, diz trecho da nota de repúdio.
Identificado por bigode na foto
Eles mencionam que o sargento não estava de plantão na mesma equipe. “Que a guarnição na qual o associado encontrava-se escalado assumiu serviço apenas no dia subsequente ao da equipe que havia sido investigada, evidenciando a absoluta ausência do vínculo com os fatos apurados”.
Policiais ouvidos pela reportagem asseguram que a situação causou revolta na tropa da PMMS. “Quem conhece o sargento sabe que ele não é de rolo e já provou até com geolocalização do celular que estava bem longe do local dos fatos. Ser preso porque alguém viu uma foto dele com bigode é uma piada. Pra bandido, não vemos essa eficiência toda”, dispara um suboficial.
A reportagem acionou a advogada que está na defesa dos militares presos. No entanto, não obteve retorno. O espaço segue aberto para posicionamento.



