Falta de recursos torna fronteira vulnerável e ‘point’ de facções em MS, diz CPI do Crime
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| MIDIAMAX
A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado apontou falta de recursos para para a seguraça das fronteiras secas, incluindo a de Mato Grosso do Sul. Assim, essas regiões ficam vulneráveis e se tornam ‘point’ de facções.
O crime organizado por grupos, que se aproximam de ter caracterização como terroristas, foi tema principal da CPI durante o início dos trabalhos. Contudo, com o escândalo do caso do Banco Master, o rumo das investigações mudou.
Assim, o relatório final apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) não focou em encaminhamentos para a região fronteiriça. No entanto, pontuou que existe déficit de investimento na segurança dessas regiões.
Mato Grosso do Sul faz fronteira com dois países da América Latina: Paraguai e Bolívia. “Essa falta de repasses orçamentários regulares para o Sisfron se reflete na vulnerabilidade acentuada da fronteira seca mais estratégica do Brasil”, disse o relator.
Logo, apontou que “a permeabilidade requer constante vigilância, atuação coordenada entre os órgãos de defesa e os de segurança pública e estreita cooperação com os países limítrofes”.
CPI do Crime se encerra sem ouvir líderes do PCC que ostentavam em MS
Fronteira com MS é ‘eixo’ de líderes do PCC
A fronteira seca com a Bolívia — que possui trecho em Mato Grosso do Sul — é apontada como ‘eixo’ de líderes de facções, da Rota Caipira e como ‘repente’ de operações. As afirmações foram feitas durante oitivas na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado.
O promotor Lincoln Gakiya, que investiga o PCC (Primeiro Comando da Capital) desde o início da década de 2000, destacou que “parte da cúpula do PCC está em liberdade, está na Bolívia”. MS possui 1,5 mil quilômetros de fronteira com países vizinhos.
Entre eles, citou “Patrick Velinton Salomão — o ‘Forjado’ —, integrante da Sintonia Fina, que tem autonomia para tomar decisões estratégicas”. Além disso, apontou “Pedro Luiz da Silva, que é o ‘Chacal’, que também está na Bolívia”.
Aos senadores, o promotor especialista disse que os integrantes vivem de forma luxuosa na fronteira com o país. “Através de um smartphone, eles conseguem comandar o crime organizado aqui no Brasil com bastante tranquilidade”, pontuou.
Tecnologias
O Estado também foi lembrado no relatório da CPI do Crime como centro de tecnologias contra facções. Isso porque o texto destaca que, durante reunião da Comissão, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Augusto Passos Rodrigues, informou sobre uma proposta para a construção de duas bases de aviação da Polícia Federal na região de fronteira.
“O projeto já está em andamento, exatamente para otimizar o monitoramento das fronteiras dos estados do Paraná e do Mato Grosso do Sul”, afirmou o relator no documento final.
Além disso, destacou o Projeto Mitra, desenvolvido em parceria com os estados do Mato Grosso do Sul e do Paraná. “Integra bases de dados e câmeras de reconhecimento facial na região de fronteira, tendo sido ampliado por meio de acordo com a ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial)”.
Por fim, o relatório foi rejeitado pelos senadores. Troca de cadeiras deixou senadora de MS como titular do grupo em 15 de abril, no dia da votação. A senadora sul-mato-grossense Soraya Thronicke (PSB) endossou os votos que derrubaram o relatório da CPI do Crime Organizado.
Líderes de facções que atuam em MS não foram ouvidos
Durante os 120 dias de trabalho, os senadores apresentaram 312 requerimentos. Contudo, 109 não chegaram à apreciação do colegiado. Entre os não apreciados, dois são do senador Marcos do Val (Podemos), os quais miravam nomes do PCC que atuaram em MS.
A CPI recebeu requerimento para convocação de Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como ‘Beto Louco’. Apontado como um dos líderes do PCC (Primeiro Comando da Capital), o possível investigado teria operado esquema bilionário da facção em Mato Grosso do Sul.
No entanto, a convocação não aconteceu, nem a de Marcos Roberto de Almeida — conhecido como Tuta. O ‘chefão’ foi preso na fronteira de Mato Grosso do Sul, onde ostentava luxo enquanto fugia da Justiça brasileira, mas também não chegou a receber convocação para oitiva na CPI do Crime.



