Bolsonaristas precisarão da rede social para disputa em partidos sem tempo e dinheiro
| INVESTIGAMS/WENDELL REIS
Encurralados após perderem o pouco espaço que tinham no grupo comandado por Jair Bolsonaro (PL), os autodenominados “bolsonaristas raiz' terão que utilizar muita rede social para a campanha do próximo ano.
Os filiados ao Partido Liberal (PL), por exemplo, precisarão mudar de sigla se quiserem alcançar voos maiores. É o caso de Marcos Pollon (PL), que lançou candidatura ao Governo do Estado nesta semana. O presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, já deixou claro que o partido apoiará a reeleição de Eduardo Riedel (PP) e a campanha de Reinaldo Azambuja (PL) para o Senado.
Capitão Contar (PRTB) também deseja disputar cargo majoritário e não encontrou apoio no grupo bolsonarista. Ele chegou a conversar com Bolsonaro e até com Tereza Cristina (PP), mas não recebeu garantia de que será candidato ao Senado se mudar para o PL ou PP.
Sem espaço nos grandes partidos, Pollon e Contar terão que procurar siglas sem grande tempo na propaganda ou dinheiro para campanha. Hoje, estão no radar da dupla o PRTB e o Novo, ambos sem tempo e dinheiro. O Republicanos também é citado pela dupla como possibilidade, mas dependeriam de um acordo nacional, já que o partido também está no radar do grupo liderado por Tereza, Reinaldo e Riedel.
Partidos sem tempo e dinheiro
PRTB e Novo não possuem tempo na propaganda política porque não cumpriram a cláusula de barreira, computada a partir da eleição de deputados federais. Na eleição do próximo ano, para ter tempo na propaganda e dinheiro para campanha, precisarão eleger pelo menos 11 deputados federais, distribuídos em pelo menos 9 Estados diferentes; obter pelo menos 2% dos votos válidos para deputado federal em todo o Brasil, também em pelo menos 9 Estados, com no mínimo 1% dos votos válidos em cada um desses Estados. Caso não atinja nenhuma destas metas, os partidos não recebem dinheiro e nem tempo para propaganda política.
Antes da cláusula de barreira, 95% do fundo partidário era distribuído conforme os votos para deputado federal. Outros 5% eram divididos igualmente entre todos os partidos.
Contar já viveu situação semelhante na eleição de 2022, quando disputou o governo. Na ocasião, chegou ao segundo turno, após Jair Bolsonaro declarar em um debate nacional que apoiava ele em Mato Grosso do Sul, mesmo o partido dele se aliando a Riedel. No segundo turno, Bolsonaro foi obrigado a se calar e Contar acabou perdendo a eleição.
O Novo procura candidatos para o Governo e Senado e conversou com Contar e Pollon, mas não há nada fechado até o momento. Contar tem garantia de candidatura no PRTB, o que justifica a permanência na sigla. Já Pollon aguarda a decisão de Eduardo Bolsonaro (PL), de quem é muito próximo.
João Henrique Catan (PL) não também demonstrou insatisfação com a chegada de Reinaldo Azambuja ao comando do PL, mas pode ter menos problema porque pretende concorrer como deputado estadual. Ele foi citado por colegas, durante reunião com Bolsonaro, como possível candidato ao Governo, mas isso só aconteceria se Reinaldo não cumprisse a promessa de filiação.
O deputado não compareceu à filiação de Reinaldo e postou um vídeo comparando o caso a água e vinho, que não se misturam. Ele conversou com Reinaldo depois que ele foi anunciado como futuro presidente do PL, mas não descartou possibilidade de saída do partido.



