Críticas a auxiliares da prefeita e projeto polêmico agravam tensão entre Executivo e Legislativo em Caarapó
| REDAçãO CAARAPONEWS
A crise política entre o Executivo e o Legislativo em Caarapó continua se aprofundando. Além das divergências sobre projetos e contratos, cresce entre os vereadores a insatisfação com membros do alto escalão da gestão da prefeita Maria de Lurdes Portugal (PL).
De acordo com fontes ligadas ao Legislativo, um dos principais alvos de críticas é o chefe de gabinete Milton Lugo, acusado por parlamentares de “blindar” a prefeita de contatos diretos com vereadores, servidores e até mesmo com a população. Segundo relatos, Lugo teria adotado um comportamento ríspido em diversas situações.
"Parece não estar preparado para a função, que exige saber dialogar, ouvir e atender da melhor forma possível", afirmou um dos vereadores ouvidos pelo Caarapó News.
Outro nome que enfrenta resistência é o do secretário municipal de Finanças, Rafael Sabino, que, segundo parlamentares, tem deixado a desejar na comunicação com a Câmara e fornecedores. Também há críticas ao procurador jurídico Thalis Antônio Corrêa Diniz, diante de sucessivos projetos enviados ao Legislativo com falhas jurídicas e vícios técnicos, o que tem gerado desgastes públicos e desconfiança dos parlamentares e da população.
A insatisfação aumenta diante do fato de que pelo menos quatro secretários municipais — das pastas de Finanças, Educação, Planejamento e Procuradoria Jurídica — residem em Dourados e são remanescentes da equipe do ex-prefeito Alan Guedes naquela cidade. Além deles, outros três ocupantes de cargos de direção também não têm vínculo direto com Caarapó, o que reforça as críticas sobre o distanciamento da realidade local por parte do alto escalão.
Em resposta a esse cenário, começou a tramitar na sessão da última segunda-feira (2) o Projeto de Emenda à Lei Orgânica Municipal nº 001/2025, de autoria dos vereadores Celso Capovilla (PL), Flávio Augusto (PP), Moacir Baratella (PL) e Reginaldo Tozzi (Podemos). A proposta prevê a obrigatoriedade de residência em Caarapó para secretários municipais e para o procurador jurídico durante o exercício do cargo.
A emenda já conta com apoio declarado de outros quatro vereadores: Pontinha (PT), Sandro Pacheco (PSDB), Gilberto Segóvia (PSDB) e Léo Mecânico (PSD) — totalizando oito parlamentares favoráveis à tramitação, número suficiente para iniciar o processo legislativo.
Os autores justificam que a medida busca garantir que os gestores públicos mantenham vínculo direto com a comunidade que irão servir, assegurando maior comprometimento com as demandas locais.
“Queremos que quem exerça cargos de confiança esteja presente no dia a dia da cidade, conheça seus problemas de perto e tenha disponibilidade para atuar em tempo integral. Isso fortalece a gestão pública e traz mais segurança tanto para os servidores quanto para a comunidade”, afirmou um dos proponentes à reportagem, sob condição de anonimato.
Por se tratar de uma emenda à Lei Orgânica do Município, o projeto precisa ser aprovado em dois turnos de votação, com o apoio de dois terços dos vereadores (8 dos 11). Caso aprovada, a nova regra passará a integrar de forma permanente a Lei Orgânica de Caarapó.
A proposta agora será analisada pelas comissões permanentes da Câmara, que irão avaliar a constitucionalidade e a legalidade do texto, antes de ser levado à votação em plenário.



