Após promessa, Reinaldo está entre a cruz e a espada com Bolsonaro
| INVESTIGAMS/WENDELL REIS
O presidente estadual do PSDB, Reinaldo Azambuja, vive uma situação delicada, enquanto tenta interferir na fusão do partido com outras siglas.
Um dos líderes do PSDB em Mato Grosso do Sul, Reinaldo pode ficar fora do partido, com ou sem fusão com outra sigla.
O ex-governador vive um dilema porque fez uma promessa ao ex-presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), de que se mudaria para o Partido Liberal (PL) para se candidatar ao Senado.
A tratativa ocorreu quando Reinaldo convenceu Bolsonaro a se aliar ao PSDB, iniciando com apoio à candidatura de Beto Pereira (PSDB) em Campo Grande. A promessa teve como intermediário o senador Rogério Marinho (PL), amigo de Reinaldo dos tempos de Câmara Federal.
Beto perdeu a eleição, mas Bolsonaro não esqueceu da promessa. Agora, Reinaldo tem comentado com colegas de partido que tem receio da mudança para o PL por conta da rejeição que pode enfrentar de uma parte do eleitorado.
Também pesa para a decisão o fato de aliados de primeira hora não demonstrarem interesse na mudança. Os três deputados federais do PSDB (Beto Pereira, Dagoberto Nogueira e Geraldo Resende), por exemplo, já comunicaram que não se mudarão para o PL, caso Reinaldo vá.
O mesmo acontece entre os deputados estaduais, que não têm interesse na filiação e do próprio governador, Eduardo Riedel (PSDB), que também não fala em filiação ao PL e nem fez promessa a Bolsonaro.
O ex-presidente, Jair Bolsonaro, também aguarda o destino de Reinaldo para definir, por exemplo, seu candidato ao Senado. Durante a conversa, ele se comprometeu a apoiar Reinaldo. Caso o ex-governador descumpra o prometido, ele pode apoiar Gianni Nogueira (PL), mas rasgar o compromisso feito com o ex-governador.