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Mulher dada como morta em Mato Grosso aparece viva em SP

| PORTAL DO MS


Uma história muito estranha que levou uma família a descobrir fatos até então escondidos no passado. Uma mulher de São Paulo descobriu que estava morta e enterrada em Alta Floresta, no norte de Mato Grosso.
 

Em Araras, São Paulo, ao tentar tirar novos documentos depois de ter sido assaltada, Maria Tereza da Silva Cavalcante descobre um atestado de óbito em seu nome. O documento foi emitido em Alta Floresta (cidade distante 802 quilômetros da capital mato-grossense), em 1990. Para a lei, a mulher está morta há 19 anos.
 

A primeira pista para desfazer o mistério é o nome de quem levou ao hospital de Alta Floresta a mulher que morreu em 1990: João Tenório Cavalcante. O mesmo nome do ex-marido da Maria Tereza que vive em São Paulo.
 

Ela conta que o casal morava no Paraná. Depois de uma briga em que um acusava o outro de traição, João Tenório fugiu com as quatro filhas pequenas. Isso foi há 36 anos. “Meu sonho é achar minhas filhas, porque nunca deixei-as um segundo com ninguém, sabe?”, lamenta Maria Tereza.
 

Na fuga, João roubou os documentos da esposa. Além das filhas, levou também uma jovem chamada Maria de Lurdes, de sobrenome desconhecido, que ele tinha recolhido na rua e abrigado em casa.
 

Maria Tereza nunca mais soube da família. Até que a confusão com o atestado de óbito trouxe o passado de volta.
 

Em Alta Floresta, um filho de João Tenório foi encontrado mas não reconheceu a foto da Maria Tereza que vive em São Paulo como a de sua mãe. “Não. Minha mãe, infelizmente, não, não pode ser”, diz João Tenório Filho. “Eu estava em casa no dia que ela passou mal. Peguei meu irmão caçula, apanhei no colo e corri até a roça onde meu pai tava mexendo com o cultivo de café”, contou. João Tenório Filho disse também que o pai dele, João Tenório, está vivo e mora na cidade de Mirassol D’Oeste.
 

João negou a história contada por Maria Tereza. Era preciso, então, encontrar uma prova do suposto casamento entre eles. Mas a filha mais velha do casal, Sandra, que tinha seis anos quando a família se separou se lembrou de quando os pais se separaram. “Do rosto da minha mãe eu não me lembro, mas do tecido que o meu pai comprou e uma sombrinha quando ela foi viajar pra Curitiba eu me lembro. Parece que eu tô vendo o tecido até hoje”, contou Sandra.
 

João Tenório, enfim, explicou a história. Ele disse que quando se separou da primeira mulher, a Maria Tereza que está viva, passou a viver com Maria de Lurdes, aquela jovem sem sobrenome nem documentos e achou mais prático passar para a segunda mulher a identidade da primeira. “Eu achei que não ía dar problema, né? A gente é analfabeto, simples”, falou João Tenório. É Maria de Lurdes, de quem não se guardou nem uma foto, que está enterrada em Alta Floresta.
 

A verdadeira Maria Tereza está se sentindo ainda mais viva: A solução do mistério trouxe também informações sobre as filhas, que moram todas em Mato Grosso. Sandra decidiu visitar a mãe. Depois dos abraços guardados durante 36 anos, Maria Tereza e Sandra já começam a se parecer com tantas outras mães e filhas.
 

Agora, João Tenório vai responder na Justiça por ter usado em documentos públicos uma informação falsa.


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