Militares denunciam mortes por maus tratos no Exército
| DOURADOSAGORA
Internautas que se identificam como "todos os militares do 17º Batalhão Fronteriço que não compactuam com a injustiça e nem com o corporativismo", estão encaminhando denúncias na rede contra mortes por maus tratos em Mato Grosso do Sul, durante treinamentos de guerra do Exército. Eles pedem providências em nome da Justiça.
Eles relacionam as denúncias, a morte de dois oficiais, ocorrida no último dia 26 em Corumbá e contam o que seriam detalhes acerca do dia do ocorrido. Dois morreram vítimas de paradas cardio-respiratória e foram internados em estados graves de saúde. Os militares denunciam ações subumanas de resistência física durante os treinamentos.
"O episódio ocorreu na região do Rabicho, uma fazenda localizada no município de Ladário-MS, durante o Estágio Básico de Combatente do Pantanal (EBCPAN), que teve início na madrugada do dia 22 de novembro de 2009 (domingo). A Operação, que não estava prevista no calendário de instruções do Batalhão, e nem tampouco no Quadro de Trabalho Semanal (QTS), do período de 23 a 27 Nov 09, foi desencadeada por iniciativa própria de alguns oficiais do 17º B Fron, sem planejamento algum e sem a devida autorização do escalão superior. Sendo que o Comandante do 17º Batalhão de Fronteira encontrava-se em gozo de férias, quando a operação teve início. Somente após a tragédia, cujas autoridades militares locais, definiram como eventual fatalidade, a administração do Batalhão teve a preocupação com os trâmites legais para o desencadeamento da Operação, fazendo a publicação em Boletim Interno da mesma no dia 26Nov09 (quinta-feira), mesmo dia em que os militares faleceram, a fim de dar legalidade a desastrosa Operação, que, repito, não tinha respaldo legal para seu funcionamento.
Ao retornarem ao Batalhão, no dia 27 de novembro de 2009, vários militares, entre sargento, cabos e soldados que participavam da operação, reclamavam dos excessos e maus tratos, que vinham sofrendo, por parte dos Instrutores. Um dos sargentos que participou da Operação relatou que o Soldado Antônio José e o Cabo Lima Leite foram "assassinados", por instrutores que ordenaram o esvaziamento de seus cantis, momentos antes de saírem para realização de uma Patrulha na Região do Rabicho, cuja temperatura beirava os 45 Graus. Durante a progressão do grupo, os militares, já bastante desgastados pelas noites sem dormir e ainda pela falta de água potável, desfaleceram e vieram a óbito no local. Disse ainda que o Socorro somente fora providenciado após transcorridos mais de 90 minutos e que ao chegarem ao local, os militares já haviam falecido.
Outro soldado que também fazia parte da Operação, relatou que os Soldados Serrudo e Izan, transportavam, além de seus armamentos e equipamento pessoais, outros acessórios que chegavam a pesar cerca de 13 kg, por cerca de 7 Km, sem nenhum gole d´agua em seus cantis. Estes dois militares também desfaleceram, porém foram socorridos a tempo, sendo conduzidos para Centros de Tratamentos Intensivos, em Corumbá. Vários outros militares, reclamavam do tratamento desumano que receberam durante o curso.
Uns diziam que todas as vezes que iriam para as diversas Instruções, a primeira coisa que os Instrutores faziam, era ordenar-lhes o esvaziamento de seus cantis, sem levar em conta, o calor infernal que fazia na região. Outros militares diziam que suas refeições eram servidas da seguinte maneira: "um Instrutor retirava os alimentos das panelas com suas mãos sujas e depositava a comida em nossas marmitas, dando-nos o mesmo tratamento dispensado aos porcos".
Os militares também denunciaram ações que eles julgam irregulares de mambros que estariam comandando o treinamento. "Vale lembrar, que no ano passado (2008), durante uma operação comandada pelo ilustre Capitão, outro soldado viera a óbito, após exercícios exaustivos, ordenados pela mencionada autoridade militar. Sendo que a morte do referido soldado fora atestada posteriormente como "Infecção Generalizada" por consumo de água suja".
OUTRO LADO
A reportagem, tentou contato, na tarde desta quinta-feira, com o Exército em Corumbá, porém ninguém foi encontrado para falar no assunto uma vez que o expediente havia se encerrado. Porém em recente entrevista ao Agência Estado, o Exército afirmou que já abriu inquérito para apurar a morte dos soldados.
Segundo o setor de comunicação social da 18ª Brigada de Infantaria de Fronteira em Corumbá, os dois militares apresentavam boa saúde e estariam aptos para a prática da atividade. Outros militares também passaram mal, mas se recuperaram após serem levados para o mesmo hospital.




