Apenas cinco dias depois de ter dito que apoiaria o governador do Paraná, Roberto Requião à Presidência da República pelo PMDB, o governador André Puccinelli adotou postura diferente manifestada agora há pouco, ao deixar reunião do partido, na sede regional da sigla, no Jardim São Bento, em Campo Grande. Pouco antes, o presidente regional da legenda, Esacheu Nascimento havia informado aos repórteres que o partido está inserido no movimento pró-Requião o que, segundo ele, reflete o desejo das bases.
Ao ser questionado se estava satisfeito com o pré-lançamento de Requião feito por diretórios estaduais neste fim de semana, em Curitiba, André não demonstrou qualquer entusiasmo. “Primeiro ele precisa dizer se é [candidato]. Depois precisa passar em convenção. Sobre política em só vou falar em março do ano que vem”, respondeu.
A manifestação de André a favorável ao lançamento da candidatura de Requião à presidência ocorreu no dia 18 de novembro passado quando da reunião do Codesul (Conselho de Desenvolvimento do Sul), em Campo Grande. “O meu voto é dele”, declarou André.
Na ocasião, Requião e o governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira criticaram o modo como o pré-acordo com o PT foi conduzida por lideranças nacionais do PMDB. Para os governadores, o assunto deveria ter sido antes discutido com as bases do partido, que, segundo eles, não aconteceu. Desde sábado, Requião é visto nacionalmente como uma alternativa ao projeto de aliança com a ministra Dilma Rousseff, nome do PT à sucessão de Lula.
Militantes do PMDB que estiveram na reunião a portas fechadas no diretório regional avaliaram que a postura de André é correta, uma vez que atualmente, o partido é aliado ao governo federal e o Estado depende de repasses de verbas da União.
PMDB
Esacheu que neste sábado esteve na reunião de Curitiba diz ter voltado de lá convencido de que o partido caminha para uma candidatura própria à presidência da República. “Vinte e quatro diretórios estaduais se posicionaram pela candidatura própria. Este é o desejo das bases”, explicou.
O dirigente adianta que está preparando uma reunião do PMDB para a próxima sexta-feira, dia 27, na qual pretendem discutir o assunto com mais profundidade. A ideia é trazer o filósofo Roberto Mangabeira Unger a quem caberá elaborar o projeto de governo do PMDB.
Alertado que a pré-candidatura de Requião não empolga a muitas lideranças do PMDB de Mato Grosso do Sul, Esacheu explicou que o diretório não adotará uma postura impositiva, mas fará “um processo natural de convencimento”.
No sábado, a reportagem do Midiamax abordou lideranças expressivas do partido sobre a candidatura de Requião como o prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad, o vice Edil Albuquerque, o presidente da Câmara da Capital, Paulo Siufi e o secretário de Habitação, Carlos Marun. Porém, nenhum deles declarou apoio diretamente ou demonstrou empolgação com a pré-candidatura.
Mas, Esacheu está convencido de que o quadro local pode mudar. “Agora temos um pré- candidato. Esta é a posição do partido (...) O PMDB não quer ser só acessório nas eleições de 2010”, mencionou.
Quem tem a mesma opinião de Esacheu é o deputado federal Waldemir Moka. Ao deixar a reunião, ele disse que Requião é “uma figura nacional” com condições de empolgar a população.
Questionado se a candidatura própria não criaria dificuldades para a reeleição de André Puccinelli que até então se preparava para uma aliança com PT ou PSDB, Moka avaliou que esta não é o fato principal. “Não se trata disso. A candidatura à presidência é um anseio nacional da militância”, afirma.
Também participaram da reunião, o senador Valter Pereira, os deputados estaduais Celina Jallad, Júnior Mochi, a presidente do PMDB da Capital, Carla Stephanini, o vereador Wanderlei Cabeludo além de dirigentes do PMDB.
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