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Nelore domina rebanho brasileiro e apaixona criadores

| MIDIAMAX


Se hoje fossemos escolher um animal para representar os brasileiros o bovino ganharia em disparada. Empiricamente poderíamos afirmar que existe um vacum para cada brasileiro.
 

São quase duzentos milhões de tupiniquins espalhados neste país de dimensões continentais. Cerrados entre palanques e arames de norte a sul e de leste a oeste, mais de oitenta por cento deste rebanho é de gado Nelore.
 

Se o Nelore arraigado no país desde 1868 quando, a exemplo das naus e caravelas de Pedro Cabral, aportou em terras baianas pudesse votar, um Puro de Origem estaria subindo a rampa do Palácio do Planalto e ostentando a faixa presidencial.
 

O Nelore é um ser mítico. Um místico animal sagrado para o indiano que tomou conta do Brasil e invadiu os corações dos criadores.
 

Transformou-se numa paixão nacional assim como a caipirinha, a cachaça, o carnaval, o futebol. Nelore: matéria-prima do churrasco, outro patrimônio imaterial.
 

Ao sair de Nelore, deixando Madras para trás o Nelore veio para o Brasil, virou caso de amor em Mato Grosso do Sul onde o Pantanal é o leito para um conúbio eterno: homem-animal vivendo em harmonia.
 

Apaixonante: com corpo esguio, sua força, sua beleza e leveza, fazem com que o Nelore ganhe a simpatia até daqueles que só sentem o prazer no prato.
 

Ao garantir na mesa nossa de cada dia a melhor carne, o melhor sabor, o Nelore, um viajante aventureiro, caminha congelado para todos os continentes e aquece a economia nacional. Pena que não pode votar e ser votado. Se isso fosse possível seria uma deidade nacional assim como é na terra de Gandhi.
 

É apaixonante ver o boi. O boi de Humberto Espíndola que ama o Nelore como a si mesmo e ao próximo e em sua obra retrata o animal sacralizando suas pinceladas com um novo viés sobre a raça.
 

No topo de suas produções figura “Enamorados” de 2008 que revela todo idílio do Nelore: um convite ao amor e a paixão.
 

Assim como Humberto, todos os sul-mato-grossenses são “meio-homem-meio-nelore”. Seres híbridos de uma conjunção etérea e que labutam diariamente para conseguir a melhor genética, sempre o melhor do melhor que o Nelore pode oferecer.
 

São centenas, milhares de Lineu, Bumlai, Naegele, Rezende Teixeira e tantos outros Olegários, Carvalhos, Coelhos, Serras, Machados e Ciascas.
 

Estes “homem-nelore” criaram a maior entre as melhores feiras internacionais da Raça, a Expoinel-MS. A magna feira “dentro de quatro paredes e telhado” do mundo que já pode se candidatar ao Guinnes dos recordes globalizados.
 

Enquanto isso não acontece é imperativo lembrar-se do poeta Antonio Carlos da Silva que na década de 1950 compôs “Nelore Valente” hino imortalizado por Sulino & Marrueiro e reconhecido nas vozes de Tião Carreiro & Pardinho. Valente como ele só, o gado Nelore inspirou os versos do bardo caipira.
 

São versos que falam não só do leite e da carne do nelore, mas da sua capacidade de renascer das doenças sendo tratado com ervas e benzeduras, de unir gerações, de nutrir o amor de uma criança e de dar lições para os maus criadores. Fala de um Nelore-Sansão que tira carro do atoleiro e que é manso e fácil de ensinar. De uma raça que não tem preço quando o apreço do seu dono é maior.
 

O pasto está cheio. As gaiolas sobre rodas vão para o frigorífico. Os contêineres gélidos estão sendo içados nos portos e vão aportar em outras nações, em outras mesas, outros pratos e outras bocas.

 

A churrascaria nos espera com um espeto macio enquanto a boca cheia se esquece daqueles que criam; daqueles peões que lidam uma vida inteira nas carreteiras, nas comitivas e nos campos de vacarias. Daqueles que se aventuram no confinamento.
 

Daqueles veterinários que curam as doenças e as feridas e até mesmo dos engravatados do agronegócio que se locupletam neste mundo louco das comoddities onde o produtor, o criador, o homem verdadeiro “homem do campo” luta solitário para a sua sobrevivência e da genética desta raça apaixonante.

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