70% de assassinatos e 100% de suicídios ocorrem em MS
| O GLOBO
O relatório do Cimi (Conselho Indigenista Missionário) sobre "Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil 2008", será divulgado hoje em Brasília, durante o 6° Acampamento Terra Livre na Esplanada dos Ministérios. As informações mostram que o maior foco de violência foi apurado entre os Guarani Kaiowá, no Mato Grosso do Sul, assim como em 2007.
Mesmo com 11 a menos que o ano anterior, o documento aponta que de 60 assassinatos no país, 42 foram nesta região. Em contraposição, foram registrados 34 suicídios, seis a mais que o outro ano. O relatório indica, por isso, que 70% dos assassinatos e 100% dos suicídios ocorrem no estado. Os casos de morte também foram registrados nos estados do Acre, Amazonas, Rondônia, Tocantins, Goiás, Mato Grosso e Maranhão.
A publicação aponta outros casos como falhas na ação do poder público, ameaças ambientais, perseguições e conflitos territoriais, além da omissão na área de assistência à saúde. O Cimi relacionou 68 mortes com o último caso citado, mais da metade com crianças até cinco anos. Ainda indica casos de desnutrição e alcoolismo.
A maior reclamação seria a falta de médicos nas aldeias ou nas Casai (Casas de Assistência à Saúde Indígena), falta de medicamentos e de transportes. O dossiê contabiliza 30 casos por falta de saneamento ou água potável. De acordo com as informações, essas mortes poderiam ter sido evitadas, como no estado de Mato Grosso, onde 15 bebês Xavante faleceram.
O último capítulo do balanço apresenta dados sobre ameaças aos povos indígenas isolados.




