Pai que fez filha refém diz que não ia matá-la
| MIDIAMAX
Preso desde a noite de sábado na delegacia da Polícia Civil de Itaporã, o comerciante Luciano Akira Amaral, 33 anos, que manteve a filha de apenas seis meses refém por cerca de oito horas no banheiro da própria casa nega ter feito ameaças contra vida do bebê. O pai afirma ter permanecido no banheiro por temer a atitude dos policias contra ele.
“Em momento nenhum proferi ameaças a ... [cita o nome da filha que será preservado] ou a qualquer outra pessoa”, disse em depoimento prestado na delegacia horas depois de ter sido preso em flagrante.
A atitude foi interpretada como uma revolta pelo fato da esposa Aline Nenami ter pedido a separação. Mas, o comerciante alega que se trancou no banheiro após discutir com a mãe, Cleusa Kasuko do Amaral, que queria devolver a menina para Aline após rápida visita.
O casal já estaria brigado há cerca de 50 dias. Mas, a esposa só deixou a residência onde moravam no dia 1º de maio e foi para a casa dos pais. No dia seguinte, ele recebeu a visita da menina levada por uma tia quando tudo aconteceu.
O comerciante está em uma das celas da delegacia com outros cinco presos. Desde a prisão recebeu apenas visita do padrasto e do advogado. O delegado Winston Ramão Albres Garcia conta que Luciano Akira aparenta tranqüilidade.
O crime
O crime movimentou a pacata Itaporã a 217 quilômetros de Campo Grande na tarde do último sábado. Por volta das 14 horas, o comerciante se trancou com a filha no banheiro na residência no cruzamento da Avenida João Batista Gomes com Rua São José.
Pouco tempo depois, o que se viu foi a aglomeração de viaturas das polícias Civil e Militar, Corpo de Bombeiros e populares em frente à residência. Houve deslocamento de policiais de Dourados que vieram para negociar a libertação da refém.
Luciano Akira só entregou a filha e deixou o banheiro pouco antes das 23 horas. Acompanhado do advogado seguiu para a delegacia onde foi autuado em flagrante.
Os policiais que atuaram no caso informaram ao Midiamax que não invadiram a casa por temer que o pai estivesse armado e cumprisse as ameaças.
A perícia passou o restante da noite verificando a residência e, conforme o delegado Winston Ramão, não foi encontrada arma alguma.
A versão
À polícia, o comerciante argumentou que não deixou o banheiro, pois ficou com medo dos policiais. “Ele viu lá fora policiais que não são da cidade, que ele não conhecia. Disse ter sentido medo e preferiu continuar no banheiro. Essa é a versão dele”, comenta o delegado.
No depoimento, ele disse que discutiu com a mãe e entrou no banheiro para impedir que ela lhe tomasse a criança. “Por que vai levar o neném agora? Ela acabou de chegar e está muito bem aqui”, teria argumentado.
Como a mãe não quis ceder, ele se trancou no banheiro dando início à situação que está sendo interpretada pela polícia como seqüestro e cárcere privado.
No banheiro, o comerciante alimentou a filha com leite e papinhas, deu-lhe água e trocou fraldas.
Luciano e Aline estavam casados há 10 anos. O casal tem dois filhos, a bebê de seis meses e um menino de oito anos.
Na noite em que saiu de casa, Aline discutiu com Luciano. Ela chegou a registrar um Boletim de Ocorrências contra ele por ameaça.
Depoimentos
Hoje, o delegado começa a ouvir as testemunhas. Serão intimados familiares que estiveram na residência na hora do acontecido. Devem ser ouvidos o padrasto do comerciante, a mãe, a esposa e outros.
A intenção é concluir as apurações dentro de 10 dias e remeter o material à Justiça. Se condenado pelo crime de cárcere privado, o comerciante pode ficar de 2 a 5 anos na cadeia.
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