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Mesmo 'recebidos a bala', índios já plantam em fazenda invadida

| CAMPO GRANDE NEWS


“Nós não queremos gado ou qualquer outro tipo de bens. A única coisa que vamos lutar é pela terra, que é dela que vem o sustento de nossos filhos”. A frase é de um dos índios terena que ocupam desde às 5h desta quarta-feira (15) a fazenda Buriti, na região de Sidrolândia. Eles afirmam que já começaram a plantar e não vão sair da propriedade.

Um dos líderes, que pediu para ser identificado como "Guerreiro", garante que o grupo foi recebido a bala, quando chegou à sede da fazenda. “Nós chegamos soltando rojão, porém fomos recebidos a tiros”, afirma, acrescentando que estavam apenas com flechas e borduna, uma espécie de pau.

Guerreiro contou que a ocupação da fazenda foi decidida em conjunto com os indígenas da aldeia 10 de Maio, em Dois Irmãos do Buriti, onde segundo ele vivem cerca de 5 mil pessoas em uma área de 2.050 hectares. “Nós queremos chamar a atenção do governo, que está nos traindo. Eles estão fazendo leis contra a demarcação de terras”, protesta.

O grupo afirma que não vai sair da propriedade e apesar de ter sido recebido a bala pelos seguranças já começou a plantar arroz, feijão, batata, mandioca, na tarde desta quarta-feira mesmo . “Nós retomamos ao que é nosso. Vamos enfrentar essa luta em união, independente do que for acontecer”, disse a índia Maria Eduarda Ferreira, de 35 anos.

O grupo passa de 350 indígenas que estão em três fazendas, além da Buriti, eles tomaram por inteiro a Querência São José e Santa Helena, onde já estavam desde o início do ano.

Como é o caso dos indígenas da aldeia Córrego do Meio, que estão na fazenda Santa Clara, localizada na mesma região, desde 30 de março deste ano. O membro da comissão responsável pela questão fundiária, Vinicius Jorge, de 51 anos, afirma que a área pertence ao índio terena desde o século XIX.


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