Policial civil, baleado ao evitar assalto, terá que desembolsar R$ 18 mil para tratamento e ainda pode ficar com sequelas
| CORREIO DO CONE SUL
O policial civil Almir dos Santos Andrade, 30 anos, cumpriu seu papel de agente de segurança e agora sofre com as consequências. Baleado na perna após interceptar um assalto, Almir poderá ficar com sequelas e ainda terá de desembolsar R$ 18 mil como parte dos custeios da cirurgia e tratamento.
De acordo com sua esposa, ele se recupera bem na Clinica Campo Grande, na capital do Estado. O incidente aconteceu no dia 27 de fevereiro após interceptar um assalto na cidade de Ponta Porá, a 100 km de Amambai.
De acordo com informações de amigos e colegas de trabalho, o valor total das despesas com a cirurgia chegou a R$ 59 mil. O plano de saúde dos funcionários do Estado cobriu cerca de 70% e Almir teve de arcar com o restante. Deu como entrada R$ 10 mil e parcelou oito mil reais.
Indignados com o descaso com o colega, os policiais civis de Amambai, em massa, se desfilaram do Sinpol (Sindicado dos Policiais Civis do Mato Grosso do Sul). “Foi á gota d’água! O sindicato não cuida dos interesses dos policiais do interior. O problema com o Almir foi mais um dos descasos que enfrentamos”, disse o escrivão Cairis Rodrigues da Silva, que estava com Almir durante o incidente.
Os policiais pedem uma ação mais energia do Sindicato, cobrando que o Estado pague o restante das despesas. “Ele não se machucou jogando bola, ou em outro lugar. Foi trabalhando! Defendendo a população. Merecia um tratamento de honra e não essa humilhação”, disse Cairis.
A torcida agora é que Almir não sofra sequelas do tiro. A possibilidade de que a recuperação não seja 100% existe. O tiro acertou o nervo da perna. “Ele sente muita dor. E são as dores que o impedem de sair daqui (do hospital)”, conta sua esposa.
Na segunda-feira, 18, ele passa por novos exames para saber o estado da recuperação e a possibilidade de receber alta.
Bom sujeito e bom profissional
Casado, pai de um menino de três anos e universitário de direito. Almir é considerado um “bom sujeito” pelos amigos e, no trabalho (Delegacia de Amambai), um bom profissional.
“Bom profissional, competente e responsável. E por cumprir sua obrigação sofreu o tiro. Lamentamos sua situação e vamos ajuda-lo no que for preciso”, disse o delegado de Amambai, dr. Marcius Geraldo.
“É um cara prestativo, que faz as “correrias”. Não merecia estar nessa situação”, disse o policial Tony Elvis Aguilera.
“Além de ser uma pessoa humilde, simples e prestativa, é um excepcional profissional. Os responsáveis pelo comando das forças policiais deveriam olhar mais para esse profissional da área, porque está escasso este tipo de policial,” disse o amigo Jeferson Gonçalves.
Almir serviu ainda no Exército Brasileiro por sete anos. Esteve no Haiti, integrando o grupo de soldados brasileiros em Missão de Paz da ONU (Organização das Nações Unidas).
O incidente
Almir e seu colega Cairis retornavam da faculdade em Ponta Porã, onde cursam direito, e ao passar por um ponto de ônibus, próximo ao “Trevo das Bandeiras”, percebeu que um casal era assaltado por dois indivíduos que estavam em uma motocicleta.
Os policiais desceram do veículo e foram em direção dos assaltantes. Ao anunciar que eram policiais, os agentes foram recebidos a tiros pelos bandidos. Eles revidaram. Durante o tiroteio, Almir acabou ferido na perna.
A dupla fugiu a pé do local, sentido ao paraguaio. Cairis seguiu a dupla e capturou Juan Carlos Ouviedo, de 23 anos, que foi ferido no braço. O caso foi encaminhado à delegacia de policia de Ponta Porã. O outro assaltante ainda não foi encontrado.
Antes de ser internado em Campo Grande, Almir passou por outros três hospitais.




