Anel viário vai passar dentro de balneário e preocupa população
| CAARAPONEWS
Por André Nezzi
A empreiteira MG Construtora já deu início às obras do anel viário de Caarapó que está orçado em R$ 5,5 milhões. A pavimentação atinge um trecho de 57,8 mil metros quadrados, no trecho entre a rodovia MS-156 e a BR-163.
A intenção das autoridades responsáveis pela obra é possibilitar um melhor fluxo do trânsito, além de desviar o tráfego de veículos de carga do perímetro urbano da cidade. Porém, o trajeto deve gerar transtornos aos proprietários de terras, que terão seus bens desapropriados e, principalmente, aos freqüentadores do Balneário Municipal Ayrton Senna da Silva.
A obra praticamente passará dentro do principal ponto turístico do município, sendo necessária à retirada da guarita e do portão de entrada recém construídos e que sequer chegaram a ser utilizados. Outro local atingido será a pista de motocross, considerada por pilotos e pela federação como uma das melhores do Estado. A obra cortará a pista ao meio e ainda deve passar por cima de uma nascente d’água que cai no lago.
Outro fator preocupante será com o trânsito, visto que o anel viário se encontrará com o prolongamento da Avenida Duque de Caxias, que liga a cidade ao balneário.
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(Estacas mostram futuro trajeto)
“Sou totalmente contra este trajeto, pois o balneário e consequentemente toda a sua área, é um dos poucos locais de lazer públicos oferecidos à população de Caarapó e região. E, portanto, em minha opinião, área totalmente imprópria para esta obra. Pode-se muito bem desviar este percurso atravessando as chácaras localizadas no entorno (antes ou depois) do balneário”, opinou o zootecnista Roberto Sanches Nakayama.
A arquiteta Glauce Karnaks também não concorda com o trajeto do anel viário. “Provavelmente quem planejou este anel viário nem sequer veio aqui para ver por onde ele realmente passaria. É inaceitável que algo assim seja feito. Primeiramente em função da natureza. Vivemos um momento de preservação e não de destruição. E segundo pelos bens materiais que foram construídos com o dinheiro da população e que serão destruídos”, alega.
O empresário Aldecir Fernandes, o “Chicão”, também se mostrou contrário ao trajeto. “Sou a favor do anel viário, mas contra esse trajeto. A pista de motocross existe há mais de vinte anos e é uma referencia em nível de Estado, sem contar que recentemente houve um trabalho de reflorestamento no local, que será perdido. Se por um lado tem o fator positivo que será o asfalto, do outro tem os riscos que se pode trazer”, afirmou “Chicão”, que ainda questionou: “E se daqui a dez ou vinte anos o município se desenvolver para aquele lado? O que não é difícil devido à proximidade. O anel viário se tornará uma grande avenida”.
Já o presidente da Associação Comercial de Caarapó (Acec) Marcos Antônio da Silva, o “Lobão”, que também é um dos freqüentadores assíduos do balneário, não vê problemas no trajeto do anel viário, mas com ressalvas: “Desde que não afete a nascente d’água”.
Prefeitura
Procurado pela reportagem, o prefeito Mateus Palma de Farias (PR) respondeu através de sua assessoria que o trajeto pegará a guarita, que será demolida, isso porque, segundo ele, se desviasse da mesma pegaria um aviário e uma casa de um sitiante. “Nesse caso o prejuízo seria maior, por conta da indenização”, disse.
“Quanto à pista de velocross, o trajeto pegará apenas um pedaço do estacionamento, que será readequado”, explicou. Com relação à pista de motocross, o prefeito justificou que a mesma está desativada por conta de que o órgão ambiental competente não concede mais a licença para seu funcionamento.
Questionado se o anel viário também traria danos ao meio ambiente por passar sobre uma nascente d’água, o prefeito informou que a obra tem licença do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) “Logo, o Imasul crê que não afetará negativamente o meio ambiente”, argumenta.
Finalizando, ao ser indagado sobre o alto fluxo de veículos no futuro cruzamento do prolongamento da Avenida Duque de Caxias, na entrada do balneário, Mateus respondeu que será construído um trevo, conforme as normas do Estado.





