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Reestruturação de R$ 61,4 bilhões da Raízen avança e marca fim de uma era industrial em Caarapó

| CAARAPONEWS


A crise financeira da Raízen, uma das maiores empresas do setor sucroenergético do país, avança para uma nova etapa. Os acionistas aprovaram nesta sexta-feira (30) medidas para executar o plano de recuperação extrajudicial da companhia, que prevê a reestruturação de R$ 61,4 bilhões em dívidas, além da possibilidade de aumento de capital de até R$ 39,8 bilhões.

As mudanças também envolvem a separação das operações de açúcar e etanol das atividades de distribuição de combustíveis. Em Mato Grosso do Sul, os efeitos dessa reestruturação já são sentidos, especialmente em Caarapó, onde a empresa manteve sua última unidade industrial no Estado antes de concluir a venda para a Adecoagro.

Segundo informações da Folha de S.Paulo, o aumento de capital poderá variar entre R$ 3,5 bilhões e R$ 39,8 bilhões, envolvendo novos aportes e conversão de dívidas em ações. A Shell deverá investir R$ 3,5 bilhões, enquanto o empresário Rubens Ometto poderá contribuir com aproximadamente R$ 500 milhões, por meio da Aguassanta. A Cosan não participará dessa etapa e deverá ter sua participação reduzida.

O plano de recuperação recebeu apoio de 81,6% dos credores e foi homologado pela Justiça em 30 de julho. Pelo acordo, 45% dos créditos abrangidos serão convertidos em ações da companhia, enquanto os outros 55% serão renegociados por meio de novos títulos de dívida.

Caarapó foi o último polo industrial da Raízen no Estado
A reestruturação ocorre depois de uma série de mudanças nas operações da empresa em Mato Grosso do Sul. Em agosto de 2025, a Raízen anunciou a venda das usinas Rio Brilhante e Passa Tempo à Cocal Agroindústria, por R$ 1,543 bilhão. As duas unidades tinham capacidade conjunta para processar aproximadamente seis milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra.

Com a saída dessas unidades, Caarapó passou a concentrar a última operação industrial da Raízen no Estado.

Em julho de 2026, a companhia anunciou a venda da Usina Caarapó à Adecoagro, em negociação inicialmente estimada em R$ 760 milhões. A aquisição foi concluída em setembro, por R$ 705 milhões, após os ajustes contratuais.

A transferência representou o encerramento da presença industrial da Raízen em Mato Grosso do Sul, colocando fim a uma trajetória que teve participação importante na economia de Caarapó e na geração de empregos do município.

Demissões e preocupação entre trabalhadores
Antes da conclusão da venda, a situação financeira da companhia já provocava preocupação entre os trabalhadores da unidade de Caarapó.

Reportagem publicada em março apontou que a usina empregava aproximadamente 1,7 mil pessoas, segundo informações do sindicato da categoria. A entidade também relatou que cerca de 250 funcionários haviam sido demitidos no fim de 2025.

Agora, enquanto a Raízen tenta reorganizar uma dívida bilionária e redesenhar sua estrutura empresarial, Caarapó já vive uma nova realidade no setor sucroenergético, com a antiga unidade da companhia sob controle da Adecoagro.


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