PUBLICIDADE

Corregedoria afasta delegado e policiais acusados de desviar drogas

A delegada Bárbara Camargo Alves, adjunta da Segunda Delegacia de Polícia de Campo Grande, foi designada para assumir a unidade de Terenos, onde Hoffman D'ávilla estava lotado 

| CORREIO DO ESTADO / JOãO PEDRO FLORES


Delegado Hoffman D'ávilla foi afastado de suas funções após ser preso na Operação Infiltrados - Foto: Taynara Menezes / Correio do Estado

A Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul afastou o delegado Hoffman D'ávilla Cândido e Sousa e mais sete policiais civis, investigados no âmbito da 'Operação Infiltrados', a qual apura o desvio de drogas apreendidas em ocorrências. 

Os entorpecentes desviados, principalmente a cocaína, eram repassados para traficantes ligados à organização criminosa, os quais são responsáveis por reintroduzir o produto no mercado ilícito. As decisões foram publicadas no Diário Oficial do Estado na edição desta sexta-feira (25).

No lugar de Hoffman D'ávilla, Lupersio Degenore Lucio, delegado geral da Polícia Civil, designou Bárbara Camargo Alves, adjunta da Segunda Delegacia de Polícia de Campo Grande, para responder, pelo expediente da Delegacia de Terenos, no período de 24 de setembro a 23 de outubro de 2026.

Os afastamentos foram baseados a partir da decisão judicial proferida pela Vara de Garantias da Comarca de Campo Grande, que determinou as prisões de oito integrantes da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, sendo eles:

  • Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa - delegado de Polícia lotado na Delegacia de Polícia de Terenos
  • Luiz Carlos de Souza - investigador lotado na Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (DENAR)
  • Douglas Tobias - investigador do Grupo de Operações e Investigações (GOI)
  • Neverson Vieira de Araújo - investigador da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP)
  • Nelson Ricardo Barros de Oliveira - investigador da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Furtos e Roubos de Veículos (DEFURV)
  • Nilton César Sales dos Santos - investigador da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Roubos e Furtos (DERF)
  • Roberto Palmeira da Silva - investigador da Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário de Campo Grande (Depac)
  • Marcos André Santos Chaves - investigador da 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Campo Grande (1ª DEAM)

Os afastamentos perdurarão pelo prazo em que estiverem presos. As armas, carteiras funcionais e demais pertences do patrimônio público destinados aos referidos policiais, além da suspensão de senhas e logins de acesso aos bancos de dados da instituição policial foram retirados dos investigados.

Operação Infiltrados

O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (24), a Operação Infiltrados, contra um esquema suspeito de desviar drogas apreendidas pelas forças de segurança em Mato Grosso do Sul.

Ao todo, foram expedidos 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 de busca e apreensão. As diligências ocorrem em Campo Grande, Dourados e Terenos.

As investigações começaram em outubro de 2025, depois que elementos relacionados ao suposto esquema foram encontrados durante as operações Traquetos e Blindspot, também conduzidas pelo Gaeco.

Segundo o MPMS, o grupo investigado teria participação de integrantes das forças de segurança e atuaria principalmente no desvio de cocaína apreendida durante ocorrências policiais.

A investigação aponta duas formas de atuação. Em uma delas, parte da quantidade de droga efetivamente apreendida não seria registrada oficialmente. Na outra, entorpecentes seriam retirados diretamente de depósitos de delegacias.

Posteriormente, a droga desviada seria entregue a traficantes ligados ao grupo investigado e recolocada no mercado ilegal.

A suspeita é de que agentes públicos tenham utilizado o acesso proporcionado pelas próprias funções exercidas na segurança pública para viabilizar o esquema.

A ação desta quinta-feira teve apoio das corregedorias das polícias Civil e Militar, Batalhão de Choque, Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e Polícia Institucional do Ministério Público Federal.

Representantes da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Mato Grosso do Sul (OAB-MS), também acompanharam diligências realizadas na residência de uma advogada.

 


PUBLICIDADE
PUBLICIDADE