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De Caarapó para além das fronteiras: cantor indígena transforma forró em ferramenta de valorização cultural

| CAARAPONEWS COM CG NEWS


No comando de teclado, cantor solta a voz em shows e nas redes sociais.... veja mais em https://www.campograndenews.com.br/lado-b/comportamento-23-08-2011-08/cantando-forro-em-guarani-deivid-virou-estrela-dos-bailes-indigenas

Da Aldeia Te'ýikue, em Caarapó, para diferentes regiões do Brasil e até países vizinhos. Essa é a trajetória que vem sendo construída pelo cantor indígena guarani-kaiowá Deivid Rossati Ajala, de 24 anos, conhecido artisticamente como Deivid Forrozeiro. (Ouça Aqui)

Misturando o ritmo contagiante do forró eletrônico com letras em português e guarani, o artista tem conquistado cada vez mais espaço nos bailes das aldeias e nas redes sociais, levando a cultura indígena contemporânea para novos públicos.

A paixão pela música nasceu ainda na adolescência, quando bandas de forró eletrônico faziam sucesso nas comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul. Encantado com os palcos e apresentações, Deivid começou a sonhar em seguir o mesmo caminho.

“Eu via aquelas bandas tocando e pensava que seria bom demais estar ali também”, relembra.

Na época, sem instrumentos e sem experiência, o sonho precisou esperar. A oportunidade surgiu durante os anos escolares, quando conheceu um colega que tocava teclado. Juntos, passaram a se apresentar em eventos da escola.

“Eu cantava com vergonha, mas meu amigo acreditou em mim desde o começo”, conta.

As apresentações chamaram a atenção dos colegas e despertaram ainda mais o interesse pela música. Aos poucos, Deivid aprendeu a tocar teclado, começou a compor suas próprias canções e ganhou confiança para seguir em frente.

Com o apoio de um tio músico, gravou suas primeiras músicas. Uma delas, intitulada “Te Amo”, alcançou grande repercussão nas redes sociais, especialmente no Facebook, fazendo seu nome circular por diversas aldeias da região.

Apesar do reconhecimento inicial, o cantor decidiu interromper a carreira por alguns anos. Segundo ele, o receio da falta de aceitação pesou na decisão.

“Eu tinha medo das pessoas não aceitarem. Muitos ainda acham que indígena não pode seguir esse caminho”, afirma.

Após quase cinco anos longe dos palcos, Deivid retomou a carreira em 2020, já vivendo em Caarapó. O retorno foi motivado pelo incentivo de pessoas que lembravam suas músicas e perguntavam por que ele havia deixado de cantar.

A nova fase ganhou impulso após uma apresentação realizada na própria aldeia. Pouco tempo depois, ele conseguiu adquirir seu próprio teclado e passou a investir mais seriamente na produção musical.

Foi nesse período que surgiu “Tequila”, música que marcou uma virada em sua trajetória artística. A canção, escrita por outro indígena da aldeia e apresentada a ele pela esposa, rapidamente ganhou popularidade.

“A gente gravou de forma simples e soltou nas redes. Quando vi, as pessoas já estavam cantando junto”, relembra.

Mais do que entretenimento, Deivid utiliza a música como instrumento de fortalecimento cultural. Em várias composições, a língua guarani ocupa lugar de destaque, acompanhada de mensagens sobre identidade, resistência e orgulho dos povos indígenas.

“Quero mostrar nossa cultura através da música. Levar nossa língua e nossa história para mais pessoas”, destaca.

O alcance do trabalho tem surpreendido o artista. Pelas redes sociais, ele já recebeu mensagens de ouvintes do Paraguai, da Argentina e de comunidades indígenas espalhadas por diferentes estados brasileiros.

Atualmente, Deivid percorre aldeias da região realizando apresentações em bailes comunitários e eventos culturais. Com o público em crescimento, ele planeja novos lançamentos e sonha em gravar um DVD.

Mais do que consolidar a própria carreira, o cantor deseja inspirar outros talentos indígenas a acreditarem em seus projetos.

“Se eu consegui chegar até aqui, outros também podem conseguir”, finaliza.


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