“Não me julgue pela tatuagem”, diz acusado de matar adolescentes por engano
João Vitor de Souza Mendes foi apontado como atirador e teve o julgamento adiado por ausência do advogado
| ANA PAULA CHUVA E BRUNA MARQUES / CAMPO GRANDE NEWS
“Não me julguem pela minha tatuagem de palhaço', afirmou João Vitor de Souza Mendes, durante sessão de julgamento pelo assassinato de dois adolescentes por engano e por tentar matar rapaz de 24 anos. O crime aconteceu em 3 de maio de 2024, no Bairro Jardim das Hortênsias, em Campo Grande.
O julgamento do jovem acusado de matar dois adolescentes teve início por volta das 8h desta quarta-feira (15), na 2ª Vara do Tribunal do Júri. A sessão é conduzida pelo juiz Aluízio Pereira dos Santos. A acusação está a cargo da promotora Gabriela Rabelo Vasconcelos, enquanto a defesa é feita por um defensor público.
João Vitor foi apontado como o atirador e em frente aos jurados negou ter uma arma. O processo do rapaz havia sido desmembrado porque, no julgamento anterior, o advogado também não compareceu, mas apresentou um atestado médico.
A sessão conta com a presença de familiares de Silas Ortiz Grizahay, de 13 anos e do acusado. Estão no local a mãe, o padrasto e a cunhada do garoto, além de duas irmãs do réu. A outra vítima foi Aysla Carolina de Oliveira Neitzke, também de 13 anos.
Crime
O crime ocorreu na noite de 3 de maio de 2024, na Rua Flor de Maio, Jardim das Hortênsias, quando dois homens em uma motocicleta passaram atirando com a intenção de matar um jovem que vendia drogas próximo à esquina onde estavam Aysla e Silas.O alvo correu em direção aos adolescentes e os tiros, que eram destinados a ele, atingiram ambos que foram socorridos, mas não resistiram aos ferimentos.
Em maio de 2024, policiais do Batalhão do Choque e do Ficco (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado) prenderam dois suspeitos do atentado. Um deles, conhecido como “Jacaré', foi localizado na mesma rua do crime e acabou preso em flagrante por guardar uma arma de fogo.
O outro foi detido com revólver calibre 357 em uma casa de massagem na Vila Jacy. Ele admitiu ter pilotado a moto enquanto o comparsa disparava contra o alvo, mas disse que os tiros que mataram os adolescentes foram acidentais. A moto utilizada no crime, registrada como furtada, foi apreendida, mas a arma usada nos homicídios não foi encontrada.
Em novembro de 2025, os outros quatro réus foram julgados. Nicollas Inácio Souza da Silva, que disparou contra os adolescentes, foi condenado a 43 anos e 20 dias de reclusão e 25 dias-multa pelos homicídios e pela tentativa de matar o alvo.
Kleverton Bibiano Apolinário da Silva, apontado como mandante do atentado, recebeu 14 anos de reclusão pela tentativa de homicídio do alvo. Rafael Mendes de Souza foi condenado a 11 anos por tentativa de homicídio e receptação da moto usada no crime. George Edilton Dantas Gomes foi absolvido.
Todos os condenados também foram obrigados a pagar indenizações mínimas: R$ 5 mil à vítima sobrevivente e R$ 15 mil aos familiares de Aysla e Silas. Na sentença, o juiz destacou que os réus agiram “com frieza e desprezo pela vida humana' e que os disparos em via pública atingiram vítimas inocentes, abalando a tranquilidade social.



