Ex-chefe de gabinete processa vereador do mesmo partido por racismo nove dias após deixar cargo em Caarapó
| CAARAPONEWS
O ex-chefe de gabinete da Prefeitura de Caarapó, Milton Junior Lugo dos Santos, ingressou com uma ação judicial contra o vereador Celso Capovilla (PL) alegando ter sido vítima de ofensa de cunho racial. O processo foi apresentado nove dias após a exoneração do cargo que ocupava na administração municipal.
Milton deixou a função de chefe de gabinete da prefeita em 1º de fevereiro de 2026, conforme portaria publicada no Diário Oficial do município.
Na ação protocolada na Justiça de Mato Grosso do Sul, o ex-servidor afirma que o vereador teria ultrapassado os limites da crítica política ao se referir a ele utilizando a expressão “capitão do mato” durante manifestações públicas. Segundo o autor do processo, o termo possui origem histórica ligada ao período escravocrata e teria sido usado de forma ofensiva, atingindo sua honra e dignidade.
Ainda conforme a ação, Milton pede indenização por danos morais no valor de R$ 38 mil. O episódio também gerou registro de ocorrência policial por suposta injúria em razão de raça ou cor.
Contexto político
O caso ocorre em meio a uma série de embates políticos envolvendo o vereador. Recentemente, a própria prefeita de Caarapó também ingressou com ação judicial contra o parlamentar após críticas feitas por ele à administração municipal.
Outro ponto que chama atenção é que Milton Lugo atua como advogado em três processos judiciais movidos contra o vereador Celso Capovilla, ampliando o histórico de disputas judiciais entre as partes.
Além disso, registros da Justiça Eleitoral apontam que Milton também possui atuação política partidária no município. Certidão da Justiça Eleitoral mostra que ele integra a composição do diretório municipal do Partido Liberal (PL) em Caarapó na condição de suplente do diretório, com vigência até maio de 2026 — mesmo partido ao qual é filiado o vereador Celso Capovilla.
Defesa
Procurado pela reportagem, o vereador Celso Capovilla afirmou que suas declarações ocorreram no contexto de crítica política e administrativa, negando qualquer intenção de ofensa racial.
Segundo ele, há uma tentativa de transformar o debate político em disputa judicial.
“Respeito o direito de qualquer cidadão buscar a Justiça, mas fica evidente que a estratégia do advogado é tentar usar o Judiciário para obter uma condenação contra mim que possa gerar consequências políticas, como uma eventual cassação de mandato ou inelegibilidade, justamente em razão da minha atuação política e das críticas que tenho feito”, afirmou.
O vereador também afirmou que não utilizou o termo com conotação racial, mas sim como forma de crítica à condução administrativa.
“Não usei o termo ‘capitão do mato’ com cunho racista, mas sim pela maneira arbitrária que ele tratava servidores e até vereadores”, declarou Capovilla.
Ele ainda ressaltou que suas manifestações ocorreram no exercício do mandato parlamentar e dentro do direito constitucional de fiscalização e crítica à gestão pública.
O caso deverá ser analisado pela Justiça, que decidirá se houve ou não excesso nas declarações feitas pelo vereador e se há direito à indenização solicitada pelo autor da ação.
A reportagem deixa o espaço aberto para manifestação do ex-chefe de gabinete Milton Junior Lugo dos Santos, caso queira apresentar sua versão ou esclarecimentos sobre o caso.


