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Saída de João Catan do PL expõe dilema de Capitão Contar

| INVESTIGAMS/WENDELL REIS


O recente anuncio da desfiliação do deputado estadual João Henrique Catan do Partido Liberal (PL) (leia mais aqui: https://investigams.com.br/2026/03/05/de-olho-na-disputa-pelo-governo-joao-henrique-anuncia-saida-do-partido-liberal/) adicionou uma nova variável ao xadrez político da direita em Mato Grosso do Sul. 

Em discurso proferido na Assembleia Legislativa, Catan justificou sua saída afirmando que as lideranças e militantes de direita vêm “perdendo o seu protagonismo” e sendo “escanteados” dentro da sigla. 

A movimentação de Catan, que busca um novo caminho partidário,com fortes indícios de filiação ao partido Novo para disputar o Governo do Estado em 2026, projeta pressão direta sobre outra figura central do conservadorismo local: o ex-deputado estadual Capitão Renan Contar.

O cenário impõe um dilema estratégico para Contar. Em 2022, o ex-deputado consolidou seu capital político e chegou ao segundo turno sustentado por um discurso antissistema, focado no combate à corrupção e em oposição frontal à gestão do então governador Reinaldo Azambuja (PL). 

Atualmente, no entanto, Contar encontra-se filiado ao PL, partido que chancelou uma aliança orgânica com o próprio Azambuja e com o atual governador, Eduardo Riedel (PP), visando o pleito majoritário de 2026. A união foi inclusive endossada publicamente pela cúpula nacional, incluindo o senador Flávio Bolsonaro e o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto.

A permanência de Contar no PL, dividindo palanque com o grupo político que outrora combatia, tem gerado atritos com o chamado eleitorado “raiz”. Durante o anúncio de sua saída, João Henrique Catan pontuou uma “falta de ânimo” e de conexão no PL, avaliando que os conservadores estariam sendo “utilizados ou subaproveitados” na atual composição.

Diante desse quadro, a leitura de outros personagens políticos aponta que a consolidação de uma frente conservadora independente passaria por um realinhamento partidário. Para manter a fidelidade da base eleitoral ideológica, que historicamente rejeita a aliança com a máquina estadual, uma migração de Capitão Contar nos mesmos moldes da feita por Catan desponta como uma alternativa orgânica. 

Acompanhar Catan em sua nova empreitada, possivelmente no partido Novo, permitiria a Contar retomar o protagonismo do discurso de renovação e desvincular-se da política tradicional.

A configuração atual opõe forças distintas: de um lado, a garantia de estrutura partidária, tempo de televisão e recursos eleitorais oferecidos pelo PL; de outro, a viabilidade de preservação da coerência ideológica demandada pela base conservadora, a qual encontra agora nova ressonância no movimento de ruptura formalizado por João Henrique Catan. 

O desfecho dessa articulação ditará se a direita sul-mato-grossense marchará unificada sob o pragmatismo institucional ou dividida pelo purismo ideológico.


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