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Ex-prefeito de Caarapó é hoje autoridade esquecida

Natural de Guanambi (BA), Artur chegou em Caarapó no ano de 1950

| CAARAPONEWS


Por André Nezzi

Artur Prado Marques, 85 anos, ex-prefeito e primeiro presidente da Câmara Municipal de Vereadores de Caarapó, vive esquecido nos dias de hoje e passa por sérios problemas de saúde e financeiros.
 


Natural de Guanambi (BA), Artur chegou em Caarapó no ano de 1950. “Naquela época não tinha nada por aqui, era tudo brejo”, lembra o ex-prefeito. Antes de entrar para política, ele montou o primeiro posto de combustível do município.
 

Em 1962, Artur se candidatou a vereador e foi eleito pelo extinto partido UDN. Assumiu o cargo em 1963, já como presidente da Casa de Leis por onde permaneceria a frente do legislativo por mais 3 anos. “Naquele tempo a gente nem recebia salário para ser vereador, participávamos porque queríamos contribuir com o desenvolvimento do município”, diz.
 

No ano de 1966, com a renúncia do então prefeito Epitácio Lemes dos Santos, Artur foi nomeado prefeito de Caarapó, ficando um ano a frente do Executivo, encerrando o seu mandato no final do ano de 1967.
 

Apesar do curto período como prefeito, Artur se orgulha de algumas conquistas que conseguiu para o município. “A primeira motoniveladora que Caarapó teve fui eu quem conseguiu. Na chegada dela à cidade houve até desfile pelas ruas”, lembra o ex-prefeito.
 

Outras obras das quais Artur se orgulha, são duas salas de aulas que teria conseguido para a Escola Antônio João e também o início da construção do prédio da Escola Rui Barbosa, atual Guarda Mirim. “Naquela época era muito difícil, a capital do Estado ainda era Cuiabá, a prefeitura de Caarapó era nova, não tinha crédito e quando conseguíamos alguns recursos, até eles chegarem aqui a inflação já tinha levado a metade”, explicou.
 

O ex-prefeito lembra, também, que naqueles tempos a política era uma guerra no município. “Adversário era adversário mesmo e fazia de tudo para prejudicar quem estivesse no poder”.
 

Recentemente Artur sofreu um derrame cerebral, o que afetou os movimentos da parte direita do seu corpo. Ele também teve problemas de vesícula. Devido a isso, o ex-prefeito passa boa parte dos seus dias deitado em uma cama. A memória dele também anda falha: durante a entrevista por várias vezes ele se esqueceu do assunto e precisou ser lembrado por sua esposa Enedina Correia dos Santos, 75 anos, que toma conta dele.
 

Hoje Artur pouco sabe o que ocorre na política e no cotidiano da cidade da qual ele foi prefeito. Além dos problemas de saúde, ele passa também por problemas financeiros. “Vivemos apenas da minha aposentadoria que é de um salário mínimo e às vezes com alguma ajuda dos filhos do Artur, mas que nem sempre podemos contar”, revela dona Enedina.
 

Há pouco tempo Artur teve que ser submetido uma cirurgia e para pagar as despesas o casal teve que vender um terreno nos fundos da casa onde vivem. “O Artur não recebe nenhum beneficio do governo e o dinheiro que ganho mal dá para comprar seus remédios”, observa sua esposa.
 

Enedina disse que tentou na prefeitura uma ajuda para o ex-prefeito, porém, não obteve êxito.
 

Apesar dos problemas de saúde e financeiro, o que mais entristece o ex-prefeito, segundo sua esposa, é a falta de memória e o esquecimento das pessoas para com ele. “Eu é que fico mais preocupada com a saúde e com o dinheiro para os remédios dele, o Artur fica mais triste é com a falta de reconhecimento por parte das autoridades e da população com os serviços que ele já prestou para Caarapó”, confidenciou.

 


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