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Campo Grande: Roubo de motos assusta e mostra audácia de criminosos

| CAMPOGRANDENEWS


Márcio Breda

Dois assaltos, duas histórias tristes. Em comum, o medo e a revolta que envolve o assalto de motos em Campo Grande. A prática, como constatou o Campo Grande News , é alta e demonstra a utilização de métodos bem mais violentos que os antigos furtos.



De arma em punho dois jovens abordam o dono da moto e em segundos levam um bem que demorou anos para ser conquistado. Esse é o enredo principal que envolve 3 assaltos a motos ocorridos em dois dias. Crime que, de acordo com a própria Defurv (Delegacia Especializada de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos), está no topo da lista de ocorrências.



Os registros policiais apontam a média de um roubo por dia na Capital. Só na madrugada deste sábado foram duas motocicletas roubadas e uma tentativa em que os assaltantes acabaram levando apenas a bolsa da vítima porque ela se recusou a entregar o veículo. Muitas vezes os veículos são usados em outros assaltos e depois seguem para desmanches.



Segunda vez – “Eu ia trocar a moto este mês por uma melhor. Ela era quitada e já tinha planos para melhorar de moto. Tenho esperança de achar, mas sei que é difícil”, desabafa Laura Aparecida da Silva, secretária que teve sua moto Titan roubada pela segunda vez na Avenida Salgado Filho na última terça-feira (2). Na primeira vez, um conhecido roubou a moto e a vendeu em uma boca de fumo, onde foi localizada pela Polícia Civil.



Laura foi abordada às 20 horas em frente a casa de uma amiga por dois “moleques de chinelo a pé”, como ela descreve. Sacaram a arma, anunciaram o assalto e montaram na moto. “Ainda me mandaram dar o capacete. Entrei na casa, tranquei o portão e eles ainda ficaram insistindo. É horrível, a gente se sente inútil. Dá vontade de reagir, mas na hora nem dá pra saber como”, explica.



Nos fundos de uma concessionária de carros localizada na Avenida Costa e Silva, dois amigos conversam depois do expediente. Às 20 horas de terça-feira, percebem que uma moto biz verde passa com dois rapazes. A mesma moto retorna outras duas vezes em um intervalo de menos de trinta minutos. Quando os amigos desconfiam, já é tarde. Os jovens anunciam o assalto.



“Eles pararam no meio da rua e o garupa já desceu com a arma na mão. Tentei evitar, mas ele apontou a arma e me joguei. Um deles montou na minha moto e vi que estava bem desesperado, não sabia muito bem o que fazer. Mas depois ligou e saiu disparado”, relata Paulo Sérgio Rocha da Costa.



A descrição é bem parecida com a de Laura. Dois jovens franzinos, mesmo horário e o garupa segurando uma arma em um ação rápida. “A gente estava acostumado sempre a bater papo lá. Apesar de ser uma rua com muita gente “diferente”, as pessoas lá nós conhecem. Sabemos que muita gente fuma por ali, mas até então nos sentíamos seguros”, explica.



Paulo Sérgio ainda tentou perseguir os assaltantes, mas os perdeu de vista. O longo da semana, o jovem que trabalha no setor de peças de uma concessionária fez rondas pelos bairros Guanandi e Vila Nhanhá. Chegou a encontrar por duas vezes os suspeitos pelo assalto, ligou para o 190 mas a polícia não chegou a tempo. “Eles perceberam que eu estava atrás deles. Sabem que estou monitorando. Sei que é perigoso, mas é uma maneira de tentar ter minha moto de volta. Só quero ela de volta”, revela.



Para o delegado Cláudio Martins, da Defurv, a incidência deste tipo de crime é alta na Capital. “Atendemos muitos casos como este. O assalto a mão armada é uma abordagem mais “prática” para este tipo de criminoso. Torna tudo mais fácil para quem assalta. E sabemos que eles não tem nada a perder. O índice é alto e depende da situação da vítima e do veículo”, alerta o delegado. (Colaborou Fernanda Mathias)


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