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22/11/2017 11h07

Conhecido como 'Bruxo de Coxim', Schimidt dá aula de história política e revela planos para 2018



Conhecido como “Bruxo de Coxim”, João Leite Schimidt se autodenomina como “o velho do PDT”. Com 81 anos, Schimidt faz parte da história política do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul. Nascido em 1936, em Palmeiras, atual distrito de Dois Irmãos do Buriti, ele se formou em Direito, advogou por um tempo e depois entrou na política, onde fez carreira e aumentou sua reputação.
 

Foi eleito deputado estadual pelo Mato Grosso em 1975. Depois, eleito deputado federal na primeira bancada de Mato Grosso do Sul já em 1979. Afastou-se do mandato durante o primeiro governo de Marcelo Miranda para assumir sucessivamente a Secretaria de Justiça e a chefia da Casa Civil. Entrevistado, ele recorda um pouco do passado glorioso e revela detalhes das articulações para as eleições de 2018:
 

 Como começou sua vida política?

Eu fui militar. Formei no Rio de Janeiro. Quando me formei já vim para advogar. Advogava no Estado inteiro, o estado ainda era íntegro. Devido ao sucesso nas causas fui ficando conhecido. Um nome muito comentado. Acabei virando político. Virei deputado estadual no estado íntegro. Como muitos que ainda estão ai. Sérgio Cruz foi meu colega; Londres Machado, desses remanescentes. Ainda era período governo Geisel, acenando com a abertura. O Brasil não estava mais sobre a ditadura de Médici, que foi o mais duro de todos. Havia um planejamento, o ministro de Planejamento de Geisel elaborou o segundo PND (Plano nacional de desenvolvimento). Nesse PND já havia previsão de redivisão territorial do Brasil, pois o Brasil tem territórios imensos. Lá havia a redivisão começando por Mato Grosso.
 

Como o senhor classifica a criação de Mato Grosso do Sul?

Já tinha duas cidades importantes. Cuiabá e Campo Grande. A economia já sustentava as mesmas regiões e já tinha a universidade. Pedro (Pedrossian) havia feito a universidade aqui, que era estadual, e tinha feito uma lá em Cuiabá. O poder tem que estar na mão dos que possuem e pensam. Aqui já tínhamos uma pecuária boa, caminhando para agricultura e já tínhamos a universidade dos padres e a estadual. Essa parte do Mato Grosso já havia condições de ser estado.
 

Quando dividiu, nós tivemos problemas. Houve uma disputa muito grande de quem seria o primeiro governador. O governo federal acabou entendendo que não ia nomear nem um, nem outro. Acabou nomeando um técnico, Harty Amorim Costa. Como era nomeado, a gente não tinha acesso.
 

A classe política existente na época já era um pessoal mais antigo. Fragelli, Pedro, Rachid, Italivio, Canale, Wilson Barbosa Martins. Eram pessoas já velhas para a época. Nós não havíamos feito uma geração para substituí-los. Fomos convivendo com esses antigos, senadores e governadores. O último foi o Wilson, depois Marcelo interrompe essa elite e vira governador eleito - antes foi nomeado. Foi prefeito de Campo Grande e o Marcelo interrompe essa elite que dominava o poder. Quando dividiu nós tínhamos três senadores, lá no norte não tinha nada. O nosso governador era nomeado e o de lá seria eleito. Lá tinha as vagas para deputado federal. Antes dividia. Lá ficou fácil de fazer politica e aqui muito difícil.
 

O senhor foi deputado federal junto com a criação do Estado. Como foi?

Fui deputado federal da primeira bancada. Ajudei a fazer a campanha do Pedro para o Senado. Ele se elegeu também. Fui chefe da Casa Civil, da Câmara Federal. Passei a ser chefe da Câmara Federal quando o Ary Amorim sai e o Marcelo assume, pois era prefeito e atingiu o consenso entre os senadores e eu vim ser chefe da Casa Civil. Então tivemos que montar o Estado. Acertar. Cuidar. Fazer política e administrar. Marcelo em um curto período de tempo fez uma bela gestão.
 

Tanto que logo depois sai candidato ao Senado e se elege. Sai candidato a governador e se elege. Fruto daquele curto período de governo que ele fez. Um bom gestor. De lá pra cá. Você conhece a história. Acaba os antigos. Eles vão até as últimas consequências. Pedrossian tentou ser governador muitas vezes. Wilson foi a reeleição. Rachid morreu. Fragelli morreu. Canale morreu. Só houve uma mudança após essas pessoas partirem. Prestaram seus serviços ao Estado.
 

Então veio gente que não tinha nenhuma história. André Puccinelli era médico em Fátima do Sul e veio a ser prefeito de Campo Grande. Ele tentou a prefeitura de Fátima, perdeu. Foi deputado estadual. Foi secretário de saúde do Wilson. Foi deputado federal. Então se candidatou à prefeitura de Campo Grande. Ganhou a eleição. Por oito anos. Então mais oito anos de Governo.
 

 Qual a diferença entre as gerações?

Essa nova elite que surge. É uma elite completamente diferente. Vê o André ficou. Marcelo ficou um período. Pedro Volta. Wilson Volta. Depois o André assume e depois dele, esses antigos nunca mais assumiram. O último foi Ramez, mas foi senador. O Ramez nunca disputou o governo. Veio o Zeca. Ficou oito anos. Mas mais no campo popular.
 

O povo tinha interesse em fazer uma mudança radical. Então o povo elegeu o Zeca. Eu ajudei. Fizemos uma aliança. O vice era o Moacir Khol indicado pelo PDT. Então ajudei a fazer essa mudança. Na verdade participei de todas as eleições que aconteceram no governo do Eestado. De dois em dois anos, há eleições. Para prefeito e para governador. Nesses 40 anos, participei de todas e antes já havia participado.
 

 

 Como surgiu o apelido 'Bruxo de Coxim'?

O Sérgio Cruz que botou isso. Mas não foi bruxo. Eu era chefe da Casa Civil e, naturalmente, tinha uma ascendência muito grande no governo. Tínhamos que formar uma maioria na Assembleia. Marcelo estava chegando. E tudo passava por mim. O Sérgio Cruz fazia discurso falando Rasputin, Raputin, Rasputin. Esse Rasputin era o Bruxo da Rússia. Eu não fui bruxo, eu fui o Rasputin na fala do Sérgio cruz. Ele que inventou isso. Nasci em Palmeiras. Hoje município de Dois Irmãos de Buriti. Eu advoguei em Coxim. Eu casei com moça de Coxim. Família de lá. Morei muitos anos lá.
 

O atual modelo de fazer política está esgotado?

Esse modelo que está ai já foi a exaustão. Não só esse modelo da política de Mato Grosso do Sul. Mas você vê em todo o Brasil. Problema da corrupção é como ferrugem. Ela pega o ferro e destrói o ferro. Se for olhar para o Supremo Tribunal Federal é uma tragédia. A Lava Jato acabou com o Brasil na área econômica. Na área ética moral, pois abusam do poder. Pessoas que não tem o limite do poder. Tanto o Moron, quanto o Ministério Público. Uma coisa que era para ficar na história acaba se banalizando, pois vai pro varejo. O Supremo também. Você vê essas discussões com o Gilmar, com o Barroso. Em todas as instituições temos problemas. Então se chega a conclusão que precisamos proclamar uma nova república. Fazer um novo pacto federativo. Convocar uma assembleia constituinte pura. Que faz a constituição e acabou. Vai para casa. Não é fazer uma constituição para eles. Como é a de 88. Tanto é que tem remendo que não acaba mais.
 

Esgotamos esse modelo que estamos vivendo e o povo não quer mais. Não é que o político seja culpado. Acho político uma coisa nobre. Não é isso que fazem aí. Da mesma forma que tem político despreparado em todas as instituições. Em todas têm gente despreparada. Para não dizer que contem mal feitos. Então precisamos admitir que as mudanças vão acabar acontecendo à revelia das elites. E aqui vai acontecer isso.
 

Primeiro a partir do governo da República. Você não pode ter uma quadrilha governando o país de 200 milhões de habitantes. Não pode ter uma quadrilha denunciada como corruptos, tudo que é tipo de crime do colarinho branco está ali. O Temer, com os ministros dele, foi denunciado e nós estamos aí cumprindo uma constituição que já morreu. E a partir daí, o povo se manifesta em 2018 e a partir daí a gente rearruma a República. E como arrumamos? Com uma Assembleia Nacional Constituinte.
 

Existe uma nova forma de fazer política?

Acho aqui ainda em 2018, quem tem o poder tem condições de fazer uma política boa. No tempo do coronelismo havia compra de votos. O coronel obrigava seus dependentes a votar no seu candidato e o candidato sustentava o seu coronel. A velha república era assim. Isso não mudou muito. Continua a ter influência do poder econômico na captação do voto. Pode fazer milhões de leis. Hoje a influencia é o dinheiro, o marqueteiro e a televisão. O povo continua não escolhendo. Pois o político virou um produto e o melhor marqueteiro vende o melhor. As regras são essas que você conhece. Quem tem mais dinheiro tem mais chance de ser eleito.
 

Nessa eleição eu não vejo que seja assim. Porque há uma reação muito grande aos poderosos, à elite de plantão. Tanto que existe a possibilidade de vencer uma campanha desprovida de dinheiro. Que seria a campanha do tostão contra o milhão. Já teve isso aqui em 65, do Pedro contra o Lúdio. Lúdio era um dos homens mais ricos desse Estado. Família poderosíssima e Pedro não tinha um vintém e ganhou essa eleição. Isso é possível, pois a história se repete. De formas diferentes. Mas a história pode se repetir. Acho que nesse momento ela pode se repetir.
 

 Por isso PDT vai lançar como candidato o ex-juiz Odilon de Oliveira?

Acho que a população está atrás desse nome. Está buscando esse cidadão que tenha coragem e praticado atos de coragem. Porque, para tirar o Estado dessa situação, tem que ter coragem e competência. Só coragem sem competência não funciona. Então nós convidamos o doutor Odilon para ingressar no PDT. Agora a candidatura dele, ele que vai declarar. Eu não sou presidente do PDT. O presidente é o Dagoberto [Nogueira]. Eu sou o velho do PDT, que as pessoas ouvem de vez em quando.

O Dagoberto vai se licenciar da presidência do partido. O senhor vai assumir o PDT?

Ele vai ser reeleito deputado federal. Pleiteará a reeleição dele. E ele não deve ficar na presidência do PDT para não usar a máquina do partido. Isso é concorrência desleal. Se eu vou assumir a presidência do partido, isso é outra historia. Coisa que ainda estou analisando. Não tenho interesse de combate efetivo.
 

Eu tenho que me preservar mais. Tenho mais de 80 anos. Já não tenho essa disposição física de ir pra lá e para cá. E quem preside um partido tem que ter disposição de ir para Mundo Novo e Sonora. Paranaíba e Porto Murtinho. Fazer os quadrantes do Estado. Eu não tenho mais disposição para isso e tenho convicção disso. Mas eu não me recuso a conversar com as pessoas que quiserem conversar comigo.
 

O PDT perdeu dois deputados estaduais e pode perder um terceiro. Como o senhor vê essa situação?

Isso aí normalmente é um conflito. Dagoberto é uma figura conflitante. Ele já fez isso antes lá atrás. Brigou com o Rigo, com o Onevan. Tínhamos oito deputados no fim do governo Zeca, inicio do governo do André. Então eu fico arrumando essas coisas. Pois o Dagoberto é, como eu digo, é o que nós temos. Ele é um bom parlamentar. Ele tem muito prestígio no PDT Nacional. E ele é muito trabalhador. Mas ele, nessa coisa, nessa luta que ele faz, ele se confronta com os deputados estaduais, quase sempre.
 

Agora temos que aumentar a bancada para enfrentá-lo bem. Se o Odilon vir a ser nosso candidato, vamos fazer dois deputados federais. Não é só ele. E vamos fazer de cinco a seis deputados estaduais. Esse é o projeto do PDT. Acreditamos que vamos fazer dois federais e de cinco a seis estaduais por causa da cabeça de chapa. Povo teria uma tendência de votar no Odilon independente de dinheiro e o Odilon acaba transferindo esse prestígio ao partido e o partido aos seus candidatos. Pode ser uma utopia mas a gente não vive sem utopias.
 

 O que o senhor gosta na política?

Entrei na política para lutar contra as desigualdades sociais. Eu atravessei as dificuldades. Eu sou órfão de pai e mãe. Órfão de pai e mãe pobres, miseráveis. Então cheguei ao Congresso Nacional. Nessa minha caminhada fui vendo muitas fotografias do Brasil. Quando eu fiz o ginásio, o Brasil tinha 8,5 milhões de quilômetros quadrados, continua tendo, e 44 milhões de habitantes. Hoje tem 200 milhões. Houve muitas mudanças e será que a riqueza chegou a esses 200 milhões de brasileiros?
 

A luta de qualquer pessoa que faz política com nobreza é lutar contra a desigualdade social. Preservar a soberania nacional. Você não pode ter um País desse tamanho e passar a vida inteira comprando semente de soja da Monsanto. Adubo das multinacionais. As máquinas das multinacionais. Entregar o nosso solo e o nosso subsolo as multinacionais. Pode ser um nacionalismo já em declínio, mas acho que temos que passar a nova geração. Para lutar por esse País.
 

Entrei na política para isso. Fiz o que pude. Quando tive mandato. E fui um homem que teve um padrão elevado. Nunca desci par fazer política. Esse negócio de fazer isso para ganhar aquilo nunca foi comigo. Fiz minhas eleições às minhas custas. O dia que não tive dinheiro larguei a eleição. Então essa forma, hoje eu tive a coragem de abandonar. Não disputo mais eleição, pois não vou vender meu voto a empreiteiro. Continuo dando exemplo. Unindo pessoas. A politica imita a vida. Pois a ciência da vida não é viver. A vaca vive. A ciência da vida é conviver. E pra conviver é admitir verdades dos outros, não ter preconceitos e a política foi me ensinando isso tudo.



                    


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