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20/06/2017 16h18

Após baques na indústria frigorífica, momento é de ‘separar o joio do trigo’, avalia especialista



À frente da empresa de consultoria PEC BR há mais de dois anos, o zootecnista Caio de Assis Rossato utiliza dos mais de seis anos em experiência com o mercado frigorífico para ajudar o pequeno e grande pecuarista. Formado pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), o profissional trabalha, junto à equipe da empresa, com o acompanhamento de abates de bovinos, para melhorar a qualidade da carne e ajudar o pecuarista a ter mais rentabilidade.
 

Em entrevista, ele explica que sua principal função é melhorar a rentabilidade do produtor e o sucesso de seus negócios, o que tem impacto direto na qualidade da carne e bem estar animal. Além disso, Rossato comenta sobre a situação atual do mercado – ainda impactado pela sucessão de polêmicas envolvendo o setor frigorífico. Confira abaixo:
 

Quais as soluções gerais de maior importância a serem repassadas ao produtor?

O que a gente  passa é que ele tem que tomar decisões baseadas em parâmetros reais e não especulação. Você sempre tem que estar muito bem amparado, juridicamente, através de consultorias, para que você possa ter uma decisão e não sair lesado em um momento em que você está ganhando dinheiro.
 

Por exemplo, um produtor que tem muita desconfiança do frigorífico tende a ter um rendimento menor no momento do abate, se esse elo não é estreitado é difícil. Se estreitado, o produtor consegue melhores preços, negociação diferenciada, escala melhor os animais, é uma via de mão dupla essa parceria. O frigorífico também tem que tratar o fornecedor como um cliente, como qualquer comércio.
 

Qual a avaliação do trabalho já realizado nesses dois anos de consultoria?

Em todo o estado, já acompanhamos mais de 46 mil cabeças de gado, atendemos em São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, dando cursos, palestras e qualificações. Tentamos cada vez mais trabalhar pela parceria entre pecuarista e indústria. A empresa é focada nesse elo final.
 

As palestras acontecem também nas universidades, para plantar essa sementinha de conscientização sobre boas práticas entre os futuros profissionais e mostrar a realidade dessa economia.
 

A gente atende desde o produtor com 40 abates por ano, até o cliente de dez, vinte mil por ano. Não tem limites, o que a gente faz é buscar um resultado para que o produtor saia ganhando, capacitando o profissional do campo e pecuaristas, como fazer esse negócio mais rentável, melhorar o bem estar animal, as boas condições da fazenda. São três zootecnistas e um técnico em agropecuária, levando o conceito que produtor não deve ter um inimigo na indústria.
 


Há pouco, a indústria frigorífica sofreu dois ‘baques’, o primeiro em relação à credibilidade do produto após a Operação Carne Fraca e, depois, as denúncias sobre os esquemas entre governos e diretorias de frigoríficos. Esse momento foi/ainda é delicado no meio?

A pecuária veio tendo resultados favoráveis nos últimos anos. Quando aconteceu toda essa crise, essa turbulência. Estamos vivendo um novo momento na pecuária, separar o joio do trigo para que fiquem só os bons. As empresas estão fazendo o papel delas e, quem não faz tudo certo, vai ficar de fora.
 

É importante que as pessoas que estão nesse meio se atentem de vez às regras do governo, à fiscalização, porque hoje em dia não cabe mais ‘maracutaia’. Quando entregar o boi, entregar de maneira ética e responsável. É um novo momento, vejo com muito bons olhos, as coisas vão rodar cada dia mais corretamente.
 

E qual o grande desafio em ter recuperada a confiança do mercado que consome a carne bovina de MS e, em outros países, de demais regiões brasileiras? O produtor também reagiu negativamente?

Temos uma das melhores inspeções de carne do mundo, já tive a oportunidade de trabalhar na indústria antes da PEC BR e acompanhei o trabalho da indústria, é muito rigoroso, sério e ético. Os desvios podem acontecer em qualquer setor, é pontual, quem lida com isso sabe o quanto o setor é comprometido e confia demais na nossa inspeção e produção, porque sabem que fazemos o melhor que podemos.
 

Ao produtor, é importante saber que, por exemplo, a JBS, que foi a empresa que tomou a decisão de fazer o pagamento no prazo, esfriou um pouco a relação da indústria com o produtor rural, foi uma estratégia que eles já queriam adotar. Essas grandes indústrias, como a JBS, não vão tentar dar nenhum tipo de calote nesse momento ao fornecedor, então, é importante que não haja tanta desconfiança. É importante que tudo seja feito com nota fiscal, comprovantes, nota promissória rural, se ele for vender no prazo, garantindo que não seja lesado. Assim não tem como haver ‘pé atrás’.
 

E como recuperar a confiança do consumidor?

O consumidor pode ter certeza de que pode comer carne tranquilamente, produzimos uma das melhores carnes do mundo. A melhor fica dentro do Brasil e, especialmente em Mato Grosso do Sul, onde se tem a prática de castrar o animal, para garantir maior valor agregado, temos privilégio de consumir algo de maior qualidade pelo mesmo valor praticado em outros lugares.
 

Hoje, o Brasil depende muito do mercado interno. Hoje, 81% da produção fica dentro e 19% vai pro externo. A melhor carne fica no país, o brasileiro tem tradição em comer carne e temos que entender e fomentar isso, porque a pecuária ajuda a movimentar o agronegócio que, hoje, movimenta o país.



                    


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