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18/01/2017 16h30

Janeiro Branco: 'Preconceito e escassez de profissionais contribuem para negligência com saúde mental', afirma terapeuta



Uma nova cor para um novo mês: na onda das campanhas de conscientização em relação à saúde humana, o primeiro mês do ano tornou-se o 'Janeiro Branco', dedicado a promover e conscientizar pessoas quanto aos cuidados para com a saúde mental, comumente negligenciadas e estigmatizadas na sociedade. Para apresentar a campanha, o Jornal Midiamax conversou com a psicóloga Giseli Oliveira, que além de terapeuta individual e em grupo, também atua como palestrante, coaching e é autora do Programa de empoderamento a vítimas de abusos (Pro-eva). Na entrevista, a Oliveira esclarece os objetivos da campanha e comenta as consequências que a omissão com a própria saúde mental podem acarretar no corpo humano, além das necessidade de melhoria no acesso ao acompanhamento psicológico gratuito na rede pública de saúde.
 

Como surgiu e qual o objetivo da campanha 'Janeiro Branco'?

GISELI OLIVEIRA - 'Janeiro Branco' é uma campanha que nasceu em 2014, em Uberlândia (MG), com o objetivo de mobilizar a sociedade em favor da saúde mental, mudando a compreensão sobre sua abrangência e quebrando os preconceitos para que a busca da ajuda psicológica seja algo tão natural quanto a busca de qualquer outro profissional de saúde.
 

O mês de Janeiro é uma época em que as pessoas renovam planos de vida e estão mais reflexivas quanto às transformações que pretendem para si. Isso tem alguma relação com o 'Janeiro' da campanha?

Sim, tanto a virada do ano como o próprio mês de Janeiro sempre nos inspiram a planejarmos uma vida com mais realizações e mais coragem. A decisão de fazer essa campanha nesse mês é justamente para aproveitar a simbologia do recomeço, da nova chance, da virada e da oportunidade de ter um novo ano dessa vez diferente dos demais, e para isso, é necessário que nossa mente esteja saudável.
 

Como são as ações dos profissionais de saúde que estão engajados no 'Janeiro Branco'?

As ações são de conscientização e acontecem por meio de pequenas palestras, seja em postos de saúde, terminais rodoviárias, hospitais, escolas, praças, ônibus, empresas ou em qualquer outro lugar onde tenha um público e uma oportunidade para compartilhar conhecimentos sobre sexualidade, educação de filhos, afeto, relacionamento, resiliência, stress, depressão etc. de forma simples e gratuita. O resultado já é comprovado, inúmeras pessoas compreendendo melhor as suas dores emocionais, conhecendo melhor a si mesmas e sendo despertadas para buscar mais saúde mental por meio da psicoterapia e outros meios para uma vida de qualidade.
 

Que consequências, atualmente, a omissão com a saúde mental e emocional das pessoas acarreta na sociedade hiperconectada, que leva trabalho para casa?

Esse hábito no primeiro momento pode até ser valorizado como esforço pessoal e proatividade. Porém, a longo prazo, isso interfere até mesmo na produtividade dessa pessoa, pois a sobrecarga de trabalho, o acúmulo de informações, a pressão e preocupação com metas e prazos, o descuido com as necessidades básicas como sono, alimentação, lazer e mais os problemas pessoais e familiares podem gerar uma série de doenças como o stress, estafa mental, a depressão, a síndrome de burnout etc.
 

A criação desta campanha dá holofotes a um problema de saúde pública, que o fato de sermos negligentes com nossa saúde mental. Afinal, porque isso acontece?

Sim, podemos dizer que é problema de saúde pública por causa do aumento de casos de absenteísmo (faltas e atrasos no trabalho) e de licenças médicas por motivos de stress, além de índice de depressão e de suicídio aumentando cada vez mais em todos os lugares. Os motivos da negligência com a saúde mental são inúmeros, como o preconceito, a escassez de psicólogos em redes públicas diante da demanda e a falta de recursos financeiros para realizar o tratamento particular. Além disso, os problemas psicológicos começam e crescem de forma sutil sem serem notados inicialmente, até que comecem a se manifestar na alteração dos comportamentos, atitudes, disfuncionalidade, alteração de humor, sintomas físicos, etc. Outro motivo é a dificuldade de todo ser humano de enxergar e reconhecer seus pensamentos disfuncionais, ou seja, uma forma de pensar desadequada, como lamúrias, autopunições, rigidez etc., o que produz um padrão mental favorável ao surgimento dos problemas psicológicos.
 

Existe muito preconceito e estigma contra as pessoas que realizam tratamentos mentais. Que tipo de barreiras culturais precisamos vencer para que as pessoas procurem acompanhamento profissional para lidar com as próprias emoções?

Sim, ainda existe a falsa crença de que psicoterapia é para louco ou para pessoas fracas. Na realidade, procurar tratamento psicológico é sinal de coragem e responsabilidade, pois muitas pessoas preferem projetar seus problemas em algo exterior e culpabilizar os outros por seus conflitos ao invés de assumir a responsabilidade por sua vida. Além dessas barreiras, existe o pragmatismo e hedonismo exacerbado de nosso tempo que pede respostas prontas, rápidas com o menor sofrimento possível, porém, a psicoterapia é um processo doloroso que exige dedicação e tempo para encontrar as feridas emocionais e tratá-las.
 

No contexto do 'Janeiro Branco', qual a importância do aumento de acesso a tratamentos psicológicos gratuitos pelo SUS (Sistema Único de Saúde) ou até mesmo a criação de uma política pública efetiva para tratamento psicológico na rede pública?

A expectativa é que o janeiro branco seja uma estratégia eficaz para que as pessoas reflitam, debatam e também procurem por tratamento. É importante que a população saiba que existem lugares que oferecem tratamentos gratuitos como no SUS, nos chamados CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), nas Clínicas-Escolas, nas ONGs, nas Instituições e Casas de Apoio. Porém, não sendo suficiente para abranger a necessidade da população, de uma forma geral. Atualmente precisa-se gerar novas práticas de saúde, nas quais haja integração das ações clínicas e de saúde coletiva. E para que isso se realize é necessário que o psicólogo continue sendo cada vez mais inserido nas políticas públicas de saúde e assistência social. Pois a população necessita é de um profissional com visão sistêmica e integral do indivíduo, família e comunidade; um profissional capaz de atuar com criatividade e senso crítico, mediante uma prática humanizada, competente e resolutiva, que envolve ações de promoção, de proteção específica, assistencial e de reabilitação; um profissional capacitado para planejar, organizar, desenvolver e avaliar ações que respondam às reais necessidades da comunidade, articulando os diversos setores envolvidos na promoção da saúde, atendendo o que preconiza as diretrizes do SUS e SUAS (Sistema Único de Assistência Social).




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